Safadezas na Educação

Safadezas na Educação


No início do ano o Mercado Financeiro emite um Boletim com a programação dos feriados. Este ano teremos apenas uma dúzia deles; com os 104 sábados e domingos teremos 250 dias úteis (366-116=250). Isto demonstra que uma bancária trabalhará 250 dias de 8 (oito) horas diárias para ganhar uns cinco salários mínimos por mês.

Alguém saberia dizer quantos dias trabalhará uma professora? Vejamos:
O Governo exige 200 dias letivos. A professora trabalha 25 horas por semana – isto corresponde a 5 (cinco) horas por dia. Mas se ela é do Sindicato terá licença de 60 dias por ano para atividades (?) da categoria. Além disso ela poderá faltar mais uma dúzia de dias por ano e abonar. Há, ainda, a possibilidade de faltar 29 dias consecutivos ou 59 alternados sem a respectiva remuneração. Quer mais? Ela pode faltar um dia por mês dada a sua condição feminina, são mais 12 dias . Quer mais, ainda? Ela se aposenta com exaustivos (?) 25 anos de serviços prestados à formação (sic) de nossos filhos. Finalmente, quantos dias ela trabalhará por ano?

Apenas e tão somente 57 dias!!!

Assim?! Qualquer trabalhador consegue ser funcionário em dois empregos!!!

Se a bancária for desidiosa o patrão a despedirá dando-lhe um aviso prévio de 30 dias.

E a professora? Se ela for denunciada por qualquer ato que a defina como incapaz, ela será promovida. Não acreditam? Denunciem uma professora, ou uma Assistente, ou uma Coordenadora, ou uma Vice-Diretora, ou uma Diretora, ou , ainda, uma Supervisora. Sabem onde iremos encontrá-la? Promovida em algum órgão público, ou prestando (?) serviço em alguma Diretoria de Ensino. Com isso o cidadão que reclamar de quaisquer delas estará revogando a Lei da Gravidade: Denuncia e ela sobe de cargo!

Em algumas rádios vimos a notícia que o aluno não precisa mais estudar, pois ele será aprovado até se não freqüentar as aulas. Isso é verdade? Vejamos:

A Exma. Sra. Secretária – após negociar com a maioria dos sindicatos – definiu Normas Regimentais em janeiro de 98 para que a Escola Estadual apresentasse, após discussão ampla e democrática com todos os segmentos, o próprio Regimento Interno. O que aconteceu? Nenhuma Escola apresentou esse Regimento de acordo com as Normas Legais, além do que 99% das Escolas sequer discutiu com os pais e alunos.

A orientação da Secretaria é que cada escola apresente todo início de ano sua Proposta Pedagógica e o Plano Escolar onde conste o calendário escolar, os graus de ensino, as reposições de faltas, o reforço escolar àqueles que não conseguiram o conceito suficiente; reforço e reposições que devem ser feitos ao final de cada mês.

Elas preferem colocar o aluno para fora da sala, dar falta àqueles que estão conversando em sala, suspender aluno, persegui-lo com conceitos baixos, gritos, e até expulsá-lo se possível. Se isso não for suficiente elas desqualificam os filhos nas reuniões mensais para as pobres mães – que nada entendem de educação formal – induzindo-as a tirarem seus filhos daquela escola. Com isso muitas classes iniciam o ano com até 55 alunos e terminam com 20 e até 15 alunos.

As professoras preferem que os alunos fiquem bem próximo do limite de faltas até o fim do ano para que as reposições sejam feitas após o fim do ano letivo. Assim elas ganham uma verba extra da Secretaria.

A história do PASSA FÁCIL tão difundido pela mídia escrita, falada e televisionada é um engodo perpetrado por quem só gosta de agir de má fé e engole o discurso de más sindicalistas da educação.

A Secretária tem difundido o nome de algumas Escolas Estaduais mal orientada por assessoras de má fé. O Brasílio Machado, por exemplo, é uma escola excludente que exige taxa mensal de seus alunos e tem um Regimento Interno que inclui o Código Penal como Norma punitiva aos alunos; e as professoras, com a conivência da direção, são promotoras, julgadoras e executoras das infrações (sic) cometidas pelo aluno.

As arrecadações feitas nas Escolas através de festas e eventos não respeitam a legislação vigente, pois os gastos destas verbas não estão de acordo com o Estatuto da APM (Associação de Pais e Mestres).

Nós constituímos o Movimento COMUNIDADE DE OLHO NA ESCOLA PÚBLICA e já temos, desde agosto de 97, mais de duas centenas de Escolas denunciadas por descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, da LDB e do Código Penal, sem contar que vários casos são passíveis até de enquadramento no Crime de Tortura.

José Roberto Alves da Silva – Pedagogo (Jan/2000)

NEPPAL – Núcleos de Estudos, Participação e Propostas de Atividades Livres
Rua Camilo Carrera, 228 – CEP 04331-000

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