Quotas na Universidade e o Racismo Invisível.

Movimento COEP – COMUNIDADE DE OLHO NA ESCOLA PÚBLICA

Não basta ser professora… Tem que ser Educadora!!!

Informativo nº COE03004

Ref.: Quotas na Universidade e o Racismo Invisível

S. Paulo, 12 de abril de 2004.

Quotas na Universidade e o Racismo Invisível

Propomos o seguinte exercício:

1.    Feche os olhos;
2.
    Imagine uma pessoa negra;
3.
    O que ela está fazendo?

Quem imaginou a pessoa cantando pagode ou jogando futebol demonstrou que é influenciado pelo preconceito e pelo estereótipo;

Quem imaginou um ministro do Supremo Tribunal Federal ou uma governadora de Estado é um privilegiado, pois é muito raro encontrar negros em cargos de gerência ou de chefia, muito menos exercendo altos cargos da administração pública.

Embora o STF tenha decidido, recentemente, que “só existe uma raça: a espécie humana” (sic), continuaremos a diferenciar as “raças” enquanto a Academia Real de Ciências da Suécia (escolhe os candidatos ao Prêmio Nobel) e as universidades não reverem os conceitos biológicos que definem uma raça: “a primeira e maior divisão do gênero humano; conjunto de indivíduos que conservam, entre si, por hereditariedade, caracteres psicofísicos semelhantes”.

As propostas de “Ações Afirmativas” ou de “Reparação” têm o objetivo de dar visibilidade ao negro. Mesmo considerando a importância de se garantir a educação infantil e o ensino básico aos negros, somente quando as crianças tiverem exemplos concretos de negros universitários e profissionais formados é que se sentirão incentivadas a concluir os estudos. Quem não conquistar as vagas do STF, ainda assim poderá tornar-se um bom advogado, por exemplo.

Algumas pessoas afirmam que não existe racismo no Brasil, pois não temos confrontos raciais nem entidades defendendo “superioridade racial”. Ocorre que o racismo brasileiro é camuflado pela exclusão econômica e social. Não será surpresa se surgirem “confrontos” tão logo os negros conquistem os cursos superiores e qualifiquem-se para disputar as vagas de gerências, chefias e alta administração pública.

Muitos críticos do sistema de “quotas nas universidades” utilizam-se dos mesmos argumentos contra a libertação dos escravos. Alegam que os negros não estão preparados para cursar o ensino superior… que sentiriam-se discriminados…  que baixariam o nível das universidades… etc. Alguns até elogiam o sistema de “vestibular”, ignorando que ele foi feito justamente para excluir e impedir que a maior parte da população pobre tenha acesso aos níveis mais elevados do ensino superior. O educador Rubem Alves denunciou os atuais vestibulares, chegando mesmo a defender um sistema de “sorteio”, o que garantiria a diversidade cultural tão necessária em uma Universidade.

Uma preocupação legítima é definir quem é “negro ou mestiço”, pois o Brasil nunca teve leis que proibissem a miscigenação. O próprio IBGE reconhece mais de uma centena de autodenominações de “cores”. A Universidade de Brasília adotou a “auto-declaração”, juntamente com a anexação de uma foto do candidato que optar pelo “sistema de quotas”. A experiência já está em prática.

Talvez, a questão mais preocupante seja garantir que as “quotas” não sirvam para aumentar a exclusão dos brancos pobres. Uma das propostas mais realistas é justamente destinar 50% das vagas das universidades públicas para alunos da rede pública.

O Censo Escolar 2003 do MEC registra: 34,7 milhões de crianças no ensino fundamental; 9,1 milhões no ensino médio; e apenas 300 mil vagas nas universidades públicas. Por isso, qualquer proposta de “quotas” é polêmica; principalmente se considerarmos que apenas 10% dos jovens brasileiros freqüentam a universidade, contra 35% nos países desenvolvidos. Este “funil” garante que as 5 mil famílias mais ricas do Brasil detenham 45% do Produto Interno Bruto do país.

No Brasil, o país das maiores desigualdades sociais, governado pela mais perversa elite branca, racista e ignorante que o mundo conheceu, a pergunta que se impõe é a seguinte: caçados e escravizados por 388 anos, será que os negros têm direitos a Ações Afirmativas e Ações Reparadoras?

Coordenação
a)       Cremilda Estella Teixeira – NAPA –

b)       José Roberto Alves da Silva – NEPPAL –

c)       Mauro A. Silva – Grêmio SER Sudeste –

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