Os 7 ERROS Educacionais do gibi da Turma da Mônica

Neste Dia do Saci (ou Dia das Bruxas), não vamos falar de criaturas místicas… Na verdade, vamos aproveitar esta data para desmistificar uma personagem que freqüentemente é associada a “santos ou anjos”: a professora das escolas públicas.
Notem que a sociedade brasileira acha “natural” até mesmo as práticas mais perversas que estas personagens promovem contra nossas crianças.
Vejam que o gibi “A Turma da Mônica em: O Estatuto da Criança e do Adolescente” apresenta, com singela “naturalidade”, pelo menos 7 ERROS Educacionais praticados contra os alunos… isto tudo apenas na sua página 13.

“as crianças também têm o direito de reclamar de suas notas…”

“… mas, é claro, só têm direito a reclamar quando têm razão…”

Quem não conseguir identificar estes “7 ERROS Educacionais” ganhará um exemplar do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (lei federal 8.069 de 13 de julho de 1990).

Vejam os 7 ERROS:

1º ERRO: O direito não é “reclamar da nota”, mas sim “direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores” (inciso 3º, artigo 53 do ECA). Por exemplo: os alunos, os pais e a comunidade podem até mesmo contestar as escolas que adotam “provas escritas” como único critério para “avaliar” alunos.
2º ERRO: O aluno refere-se ao seu colega pelo apelido “Zé Lelé”… e sua professora age como se fosse a coisa mais natural do mundo. “Lelé” signifia: “aquele que age insensatamente, apresentando sinais de loucura; doido, biruta, maluco” (Dicionário Houais). Uma das práticas mais comuns de “bullying” (humilhações físicas e morais) é justamente o uso de apelidos depreciativos. (leia mais aqui)
3º ERRO: Quando o aluno “confessa” que colou na prova (”Ara! Eu colei dele! Divia recebê a mema nota!”), o texto do gibi diz: “… Mas, é claro, só têm direito a reclamar quando têm razão…” (sic). Este é um dos maiores absurdos pseudo-educacionais. Toda reclamação é possível. É a professora ou a escola que devem justificar as notas e as avaliações dadas aos alunos.
4º ERRO: Ao saber que seu aluno “colou!”, a professora não aproveita para lhe dar uma aula sobre ética nem sobre a implicação da “fraude intelectual”… nem mesmo avalia o porquê o aluno tirou nota menor, pois “provas iguais deveriam- em tese – ter a mesma avaliação”… ao invés de ficar triste pelo fato do aluno ignorar a falta ética e moral, a professora sorri de forma cínica e sarcástica… “Hey! Teachers! (…) No dark sarcasm in the classroom” (Hei, professora! (…) Sem sarcasmo sombrio na sala de aula”).
5º ERRO: O aluno é humilhado da forma mais covarde possível: a professora coloca um enorme “X” na sua prova… ele terá de fazer outra prova… a professora não conhece a realidade do aluno… a professora não perguntou os motivos pelos quais ele não conseguiu fazer a prova “sozinho”…. será que ele teve de trabalhar “na roça” quando deveria estar estudando? A professora conhece a realidade de seus alunos? Ou será que ela acha que todo aluno da área rural é preguiçoso?
6º ERRO: Enquanto o aluno fica totalmente “arrasado”, a professora mal se agüenta de tanta satisfação… a professora sorri por ter derrotado mais uma criança brasileira? Ou a professora sorri por saber que seu próprio filho, matriculado em uma escola particular, não está sofrendo as humilhações cotidianas nas escolas públicas brasileiras?
Qual é o “7º ERRO Educacional”???
7º ERRO: A professora ignorou completamente o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (lei federal 8.069/1990). A professora tratou o aluno, que é um cidadão (sujeito de direitos), com se fosse um escravo (”aquele que, privado da liberdade, está submetido à vontade absoluta de um/uma senhor/senhora, a quem pertence como propriedade”).
A professora não respeita o aluno nem o protege contra “qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor” (artigo 18 do ECA) simplesmente porque não o reconhece como “um sujeito de direitos”… a professora não reconhece o aluno como “um cidadão”… a professora destina ao aluno o mesmo tratamento que destinaria a um escravo… A principal evidência de que a profesora enxerga o aluno como se fosse um “escravo” está expressa na sua total indiferença ao fato do aluno estar com “os pés descalços” em plena sala de aula… (“os escravos se distinguem dos senhores pelos pés descalços” – “sinal do ser escravo no passado, negros alforriados logo compravam sapatos”).
A professora, representante da escola e do Poder Público, trata os cidadãos (alunos e pais) como se fossem “escravos”…
Para as escolas públicas brasileiras que não reconhecem nem mesmo a Lei Áurea (Abolição da escravatura, em 1888), falar em Constituição Federal (1988) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) é pura perda de tempo…

Postado por: Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública

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