Escolas corruptas e as *máfias do giz*

A imprensa brasileira ignorou completamente o Seminário Internacional “Ética & Responsabilidade na Educação”, no qual a UNESCO apresentou um resumo do documento “Escolas corruptas, universidades corruptas: o que fazer?” (Brasília, 05/08/2008, leia aqui).
Pesquisas recentes sugerem que perda de fundos entre os ministérios de educação e as escolas podem representar praticamente 80% do total do orçamento aprovado (despesas não-salariais), em alguns países. Subornos e recompensas indevidas a funcionários para obtenção de favores no recrutamento e promoção de professores tendem a baixar a qualidade destes na escola pública; pagamentos ilegais para a entrada na escola e outros custos escondidos ajudam a explicar os baixos níveis de matrícula e as altas taxas de abandono escolar. Ao mesmo tempo, educação ética é um aspecto central na prevenção da corrupção por promover atitudes que não toleram corrupção entre as novas gerações. No entanto, só educação ética não é suficiente num contexto em que prevalece uma gestão sem ética do setor de educação.

A grande imprensa tem ignorado completamente as graves denúncias de corrupção na Diretoria de Ensino de Araraquara-SP…
A grande imprensa não tem cobrado investigação e punição das fraudes nos atestados médicos para licença de professores…
A grande imprensa abandonou as investigações de cobranças ilegais de taxas nas escolas públicas…

“A corrupção é o fator que pesa mais negativamente no uso dos recursos para a educação e deve ser drasticamente reduzida”.
(Comitê de redação do Fórum Mundial de Educação, Dacar/2000)
Agora, na presente data, temos a denúncia do próprio sindicato de professores denunciando práticas criminosas de algumas diretorias de ensino:
“Na última terça-feira, a Apeoesp moveu uma ação civil pública contra o Estado, alegando irregularidades na avaliação. De acordo com a entidade, algumas diretorias de ensino vazaram o gabarito e alguns educadores foram surpreendidos com as respostas ao fim da prova.” (”Justiça suspende prova de professor temporário”, jornal Diário de São Paulo, 25/12/2008).
O sindicato quer, a todo custo, evitar que os professores “temporários” sejam avaliados por provas de conhecimento… O sindicato “atirou no que viu”, mas acertou no que não queria que os outros vissem: as práticas criminosas nas diretorias de ensino… vazar o conteúdo das provas é uma forma de garantir que os “apaniguados” continuem atuando nas escolas públicas…

O governador José Serra poderia aproveitar esta “ação judicial da Apeoesp” e fazer uma “limpeza geral” nas diretorias de ensino… E, para não ficar refém das corporações e nem das “máfias-do-giz”, o governador bem que poderia garantir uma efetiva participação dos alunos, pais e comunidade no controle social sobre as escolas públicas.

Postado por Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública

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