Editorial NOTA ZERO faz apologia ao crime

Não tenham dúvidas: são fortes os indícios de prática criminosa nos atos da professora que puniu o aluno e permitiu que as imagens fossem gravadas e posteriormente divulgadas na internet.
“Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento: Pena – detenção de seis meses a dois anos”. (artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente, lei federal 8069/1990)
A permissão de que as imagens fossem gravadas e as ameaças de que seriam colocadas no “Youtube” agravam a situação da professora.

Editorial Nota Zero
O caso já é muito grave. Mas ainda vem uma imprensa reacionária e vingativa não só defendendo os atos tipicamente criminosos da professora como ainda incentiva outros professores a fazerem o mesmo.
O editorial “A lição da Pichação” (jornal Zero Hora, 24/09/2009) é uma vergonha para um jornal que foi um dos únicos órgãos de imprensa a insurgir contra a ditadura militar imposta em 1964. Vejam como o editorial nota zero apóia o abuso autoritário da professora:
“Sua atitude disciplinadora, descontado um ou outro excesso apontado por especialistas em pedagogia, está sendo aplaudida efusivamente porque os cidadãos já não suportam mais a tolerância com desmandos de toda ordem, com infrações impunes e com a falta de educação de muitos jovens, alguns deles acobertados pelos pais”.
O “editorial nota zero” conclui assim a sua apologia ao arbítrio e ao descumprimento da lei por parte de um funcionário público (a professora):
“Por isso, quando uma professora assume a responsabilidade, como neste caso de Viamão, a sociedade só pode aplaudir – na esperança de que o exemplo se multiplique”.

Escola Feudal e o ato-falho da professorinha
A professora cometeu um “ato falho” ao se referir ao aluno como “bobo-da-corte”. Só Freud explica…
Na Idade Média, nos palácios, o “bobo-da-corte” era a única pessoa que podia criticar o rei (ou rainha) sem sofrer punições…
Ao xingar o aluno de “bobo-da-corte”, a fala da professora foi reveladora: realmente as escolas públicas brasileiras são autênticos feudos da Idade Média. Não aceitam e não reconhecem nem a Revolução Francesa (1789) e nem a Proclamação da República (1889). As escolas públicas são como feudos em uma regime de monarquia. Os alunos não passam de filhos dos servos, para os quais ensina-se o mínimo: apenas o suficiente para que eles cumpram os trabalhos braçais, os mais sujos e os mais pesados.
As escolas públicas não aceitam o princípio fundamental da República: não aceitam prestar contas e nem serem fiscalizadas. A corporação de professores do Rio Grande do Sul não aceita nem mesmo que se divulgue publicamente as notas das escolas.

A Ditadura Militar também teve “significativo apoio da sociedade”
É lamentável ver o jornal Zero Hora usar um chavão da ditadura militar para apoiar o arbítrio das escolas públicas contra os alunos, que são pobres em sua grande maioria.
O aluno foi acusado, julgado, condenado, punido e execrado publicamente segundo a única interpretação arbitrária da professora. Não houve amplo direito de defesa e nem o “contraditório”. Não se cumpriu a lei. Não tiveram a coragem nem mesmo de divulgar o que está escrito no regimento interno da escola. Foi tudo baseado no arbítrio e autoritarismo da professora, que também é vice-diretora na escola.
O jornal Zero Hora deveria envergonhar-se do “apoio” manifestado pela maioria dos leitores do próprio jornal:
“Acho pouco. Com esta idade já se tem mentalidade formada e acho que este aluno, que cometeu o crime horrível de escrever seu nome com uma canetinha colorida deve ser expulso do colégio e preso como delinquente para aprender seus limites. Deve ser execrado para servir como exemplo. Psicologicamente não importa o que possa sentir; seu castigo deve ser exemplar. Parabéns para a professora que sabe educar utilizando linguagem e adjetivos apropriados a situação. Muito educativo”. (este é um dos mais de 700 comentários publicados no site do jornal Zero Hora).

Viúvas da ditadura militar

Não temos dúvidas de que muitos dos que estão apoiando a atitude arbitrária da professora são os mesmos que apoiariam uma ditadura militar, apoiariam a suspensão dos direitos e garantias fundamentais, e também apoiariam um editorial nos seguintes termos:
A lição contra os subversivos
A autoridade policial que puniu o jornalista subversivo num jornal de Viamão, obrigando-o a limpar o que sujou e a reparar a reportagem e outras matérias, está recebendo significativo apoio da sociedade. Sua atitude disciplinadora, descontado um ou outro excesso apontado por especialistas em punições, está sendo aplaudida efusivamente porque a população já não suporta mais a tolerância com desmandos de toda ordem, com infrações impunes e com a falta de educação de muitos jornalistas, alguns deles acobertados pelos editores de jornais. Ao enquadrar o jornalista transgressor, a autoridade policial cumpriu o seu dever, deu uma lição de disciplina e tende a se transformar num símbolo de reação à subversão que grassa no jornalismo, evidenciada inclusive por frequentes agressões de jornalistas a autoridades militares impostas pela ditadura“.

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