Reprovação Escolar é Covardia

Ofício Circular nº COE02502 – S. Paulo, 22 de julho de 2002.
Ref.: Progressão Continuada;
Para:    Assessorias de imprensa e comunidade em geral

Reprovação Escolar é Covardia

“Nunca deixei que o período que passei na escola interferisse na minha educação.”

(Mark Twain – escritor americano – 1835-1910 )

A maior crítica contra a Progressão Continuada é justamente das escolas cujos profissionais não aceitam qualquer tipo de avaliação das suas propostas educacionais. Os profissionais que não têm qualquer compromisso com a aprendizagem do aluno propõe a volta do Instituto da Reprovação, medida esta que coloca sobre o aluno toda a responsabilidade pelo “fracasso escolar”.

O Regime de Progressão Continuada (aprovado pelo Conselho Estadual de Educação – CEE – em 17/12/97) “pede avaliação continuada também do processo de aprendizagem dos alunos, o qual deve ser objeto de recuperação continuada e paralela.” (in Indicação CEE nº 22/97). Esta “avaliação continuada” exige um comprometimento total dos professores com os educandos, situação esta inimaginável para um grande número de profissionais que não têm vocação para o ensino.

Algumas corporações têm responsabilizado a “progressão continuada” pelo fato de alguns alunos chegarem à 5ª série sem saber ler, mas omitem da sociedade a irresponsabilidade dos professores que “enganaram” estes alunos por 4 anos. Declarar que “O mau aluno sabe que não vão exigir nada dele, que não vai ser reprovado”, (conforme declarações do um diretor da Udemo), é confessar a total incapacidade em motivar o aluno para o ensino-aprendizagem. A reprovação é um instrumento covarde, pois joga toda a culpa das mazelas da Educação justamente no elo mais fraco da corrente – o aluno.

“A avaliação da pré-escola tem muito a ensinar aos outros níveis de ensino” (Jussara Hoffmann – Professora da PUC/RS – no II Congresso de Educação Infantil – Anhembi/ S. Paulo – 24 a 26 de março de 1998). Na pré-escola, não existe “reprovação”. Vejam algumas frases desta professora no referido congresso:

  • “Avaliação é tomada de decisão. Avaliação não é julgamento, é ação reflexiva.”
  • “A criança está diferente a cada dia”
  • “Um dos grandes problemas é a elitização da avaliação pedagógica”.
  • “A avaliação só tem sentido se ajudar a ação do professor em acompanhar a criança.”
  • “A avaliação é sempre individual, mas, em geral, não respeita o indivíduo.”

O contrário da “progressão continuada” é o sistema de “notas”, na qual o professor faz uma prova e “classifica” os alunos. Quem não atingiu o conceito “satisfatório”, faz outra prova. Neste sistema, não se avalia as dificuldades e capacidades dos alunos. Não existe compromisso entre educador e educando. Além disso, temos o famigerado sistema de “médias bimestrais”, no qual um aluno tira “2” na primeira prova, “8” na segunda, e o professor soma as duas notas (2+8=10) e divide por “2”, achando um número “mágico: 5”. Este número não serve absolutamente para nada, pois se o aluno “superou “ as suas dificuldades iniciais, então seria mais justo considerar que ele vale “8”!!!

Também chamamos a atenção para a interessante situação criada pela “progressão continuada”: cada professor é avaliado pelo professor da série seguinte! O professor da 5ª série é quem de fato estará avaliando o trabalho dos professores das primeiras 4 séries!!! Isto é inadmissível para pessoas que não aceitam nenhum tipo de crítica e/ou avaliação.

Finalizando, nunca é demais lembrar que existem pessoas e corporações contra a municipalização do ensino fundamental. Na falta de “melhores argumentos” contra a diretriz constitucional, aproveitam o “ano eleitoral” para criticar uma proposta formulada por educadores denunciando-a como se fosse um “programa de governo”.

(a) Coordenação – Mauro A. Silva – Grêmio SER Sudeste

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9 Respostas para “Reprovação Escolar é Covardia

  1. Pingback: Cremilda Dentro da Escola - » Reprovação Escolar é Covardia – versão 2009

  2. Jorge Luiz M Muniz

    Concordo!!! Deixei o seguinte comentário para o Texto do Professor Luis Fernando de Lima Jr:
    -Discordo! Entendo que os professores devem se conscientizar de uma nova realidade pedagógica. Sou pela conscientização dos alunos, mas antes porém dos professores. Não funciona mais escreve no quadro todo, enquanto os alunos jogam gaivotas de papel uns nos outros. Reprovar? – Jamais! O que ganha o aluno com a reprovação… se me derem 2 motivos, dois aspectos positivos, me calo. A única coisa que a meu ver deve reprovar é a ausência na sala de aula. E a ausência só ocorre por falta de motivação, tanto dos professores quanto dos alunos. As aulas devem ser dinâmicas e com consignificação do conteúdo a ser aplicado. Os discentes devem se apaixonar pelas aulas e estas devem ter:
    – uauuuuuuuuuuuuuuu!!!!
    Quando eles, alunos, fizerem uauuuuuuu, que aula, todos aprenderam!!!! Não decoraram e ficaram felizes, com prazer de ter aprendido! Mas o assunto é grande… eu trato isto nas palestras, i.e, nos papos que tenho com professores, pais e alunos, quando me convidam!!!!

    Jorge Luiz

    • Em que planeta tu moras? Deixa de ser hipócrita. Gostaria muito de te ver em sala de aula, atuando, tu e esse bando de idiotas que ficam sentados em suas poltronas confortáveis criando teorias e escrevendo livros sem nunca terem colocado os pés em uma sala de aula, e ainda justificam todo o fracasso escolar ao docente.

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  5. ivanilde J. G. Brito.

    adorei o texto. me ajudou a clarear e relembrar o verdadeiro sentido da avaliaçao.

  6. Pingback: A TV Globo, a professorinha-santa e a covarde reprovação das “praguinhas”. « Cremilda Dentro da Escola

  7. A questão é bem mais complexa do que parece:não trata de procurarmos vilões e vítimas e duvido muito que exista professores que ambicionam prejudicar a educação de crianças e jovens.Mais importante que reprovar ou não é que o educando sai da escola sabendo habilidades, valores e conceitos mínimos para exercer sua cidadania, então a reprovação é legítima.

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