Reprovação Escolar é Covardia – versão 2009

O jornal O Estado de São Paulo aproveitou o apagar das luzes de 2009 para publicar um famigerado artigo em defesa da covarde prática da reprovação escolar.
Veja o que diz o “ilustre” professor em seu artigo: “Com a radicalização de uma interpretação da progressão continuada, que em sua proposta original não excluía a retenção dos alunos com graves defasagens de aprendizagem, criou-se um vício que desestrutura a capacidade de aprender sozinho pelo estudo – justamente a principal habilidade requerida pela sociedade contemporânea.
Em razão disso, nossas crianças cresceram acreditando que não precisavam dedicar-se aos estudos, pois sua aprovação era apenas uma questão de tempo. Mesmo que ultrapassassem o limite legal de faltas, teriam ainda a possibilidade de compensá-las de uma forma simples e facilitada”. (Ensinando impunidade, 31/12/2009)

Colocamos nos comentários uma reposta ao artigo do “ilustre” professor.

Leiam o nosso comentário em resposta a um leitor do Blog do Nassif:

Carlos,
Já que você qualificou o professor de “ilustre” (assim mesmo, com aspas), eu achei importante fazer uma pesquisa na internet.

Lamentavelmente não encontrei nenhuma “tese” nem livros publicados pelo “ilustre” professor…
Fiz uma pesquisa na Imprensa Oficial do Estado de SP e achei alguma coisa sobre um professor Luis Fernando (RG nº ##.###.171). Seria este o autor do referido artigo publicado no Estadão? Vejam o que está publicado na Imprensa Oficial:

1) Teria vendido aulas na EE Maria Ap.F.B.Araújo (Caçapava-SP) até 2009 (?);
2) Teria vendido aulas na EE Joao Alves-Monsenhor (Taubaté-SP) até 2007 (?);
3) Teria ficado em 619º lugar na CLASSIFICACAO GERAL DOS DOCENTES OCUPANTES DE FUNCAO-ATIVIDADE E DOS CANDIDATOS ‘A ADMISSAO (D.O. de 31/03/2009). Ele tirou nota “2,772”. (O primeiro colocado tirou nota “64,911”).
4) Teria ficado em 914º lugar no PROCESSO SELETIVO DE ATRIBUICÃO DE CLASSES E AULAS – 2008 (D.O. de 29/03/2008). Ele tirou nota “1,104”. (O primeiro colocado tirou nota “63,000”).

Curiosidade sobre o desempenho destas duas escolas:
Notas no IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação de SP):
EE Joao Alves-Monsenhor
– 3ª série do ensino médio (nota varia de zero a dez)
2007: nota 1,51
2008: nota 2,90
Foram avaliados apenas 41 alunos (dos 252 alunos matriculados). E só 32 participaram do ENEM 2008 (nota=48,60)

EE Maria Aparecida Franca Barbosa de Araújo – 3ª série do ensino médio (nota varia de zero a dez)
– 4ª série do ensino fundamental (nota varia de zero a dez)
2007: nota 3,16
2008: nota 2,71
Foram avaliados apenas 84 alunos
– 8ª série do ensino fundamental (nota varia de zero a dez)
2007: nota 4,22
2008: nota 2,42
Foram avaliados apenas 69 alunos
– 3ª série do ensino médio (nota varia de zero a dez)
2007: nota 1,98
2008: nota 1,58
Foram avaliados apenas 58 alunos (dos 68 matriculados). E só 34 participaram do ENEM 2008 (nota=44,00)

Última curiosidade: este “ilustre” professor também participou em 2009 de um concurso para investigador de polícia (“CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS E TÍTULOS PARA INGRESSO NA CARREIRA DE INVESTIGADOR DE POLÍCIA -IP-1/2009” – resultado parcial no D.O. de 30/09/2009). Não ficou bem claro se este “ilustre” professor quer ser educador ou policial.

São Paulo, 01 de janeiro de 2010
Mauro Alves da Silva
Coordenador do Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública – COEP
https://movimentocoep.wordpress.com
autor do “S.O.S, ALUNO – Manual Prático de Sobrevivência na Escola Pública” e da cartilha “Como Educar Meu Professor “

Leia também:

Reprovação Escolar é Covardia – (Ofício Circular nº COE02502 – S. Paulo, 22 de julho de 2002).

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10 Respostas para “Reprovação Escolar é Covardia – versão 2009

  1. Ensinando impunidade

    Luís Fernando de Lima Júnior

    De acordo o último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em todo o Brasil, considerando as redes públicas estaduais, São Paulo ocupa a terceira colocação. No entanto, com um resultado de 4 como média para os ensinos fundamental e médio, não temos o que comemorar.

    Desde a implantação da estrutura curricular de ciclos de quatro anos em regime de progressão continuada na rede de ensino básico do Estado de São Paulo, a realidade do cotidiano escolar aponta na direção de um aumento nos casos de indisciplina e violência dentro da escola. Talvez um dos efeitos mais nefastos desses 12 anos de uma política educacional equivocada seja a desconstrução de um dos principais valores da escola: o estudo. A necessidade de estudar para garantir a aprovação por boas notas foi substituída pela falta de perspectiva. Os alunos podem fazer o que quiserem na escola que sua aprovação está garantida.

    Sem apologia ao passado, percebe-se que a pressão exercida sobre os estudantes, quanto à obrigação de se apresentar resultados, fazia os alunos demonstrarem melhor rendimento escolar, propiciando-lhes maior preparo para a competição do mercado de trabalho. Reconhecendo que essa pressão era, muitas vezes, exagerada, não se pode negar que tal necessidade desenvolvia nos alunos uma qualidade e um senso de responsabilidade que já não existem.

    Com a radicalização de uma interpretação da progressão continuada, que em sua proposta original não excluía a retenção dos alunos com graves defasagens de aprendizagem, criou-se um vício que desestrutura a capacidade de aprender sozinho pelo estudo – justamente a principal habilidade requerida pela sociedade contemporânea.

    Em razão disso, nossas crianças cresceram acreditando que não precisavam dedicar-se aos estudos, pois sua aprovação era apenas uma questão de tempo. Mesmo que ultrapassassem o limite legal de faltas, teriam ainda a possibilidade de compensá-las de uma forma simples e facilitada.

    De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal nº 9394/96), a educação básica em todo o País deverá ter, no ensino fundamental e no ensino médio, uma carga horária mínima de 800 horas divididas em 200 dias letivos, com frequência mínima do aluno para aprovação de 75%, devendo a escola notificar os pais, o Conselho Tutelar e o promotor competente sobre os excessos de faltas dos alunos menores. A redação da lei é clara: mesmo que se adote o regime de progressão continuada, a promoção do aluno está condicionada ao cumprimento da frequência mínima no ano letivo.

    Em vez disso, a maioria das escolas da rede pública simplesmente compensa a ausência desses alunos pela realização de trabalhos escritos, referentes ao conteúdo perdido, sem mesmo questionar as razões do excesso de faltas. Nos casos envolvendo alunos menores, os pais chegam a ser comunicados, mas a prática do trabalho é a mesma. Muitas vezes não existe um critério para orientação e regulamentação dessas atividades.

    Será mesmo que um trabalho escrito (muitas vezes copiado da internet sem nenhuma leitura ou reflexão, para ser impresso e entregue ao professor, sem que se tenha a preocupação de retirar as propagandas e o endereço eletrônico da página reproduzida) realmente compensa as explicações e o conteúdo perdidos em sala de aula?

    Formados num ambiente pedagógico que não estimula o desempenho, os alunos com defasagem de aprendizagem são aprovados pela progressão continuada, mas não conseguem acompanhar seus colegas de sala de aula. Desestimulados e sentindo-se inferiorizados, manifestam apatia em relação aos estudos, o que tende a agravar ainda mais a situação, pois para sua autoestima é melhor acreditar que não querem do que admitir que não são capazes.

    Com isso, indisciplina e violência explodem, já que a escola não consegue demonstrar um sentido para os estudos e as famílias não conseguem exercer sua autoridade, tornando professores e alunos reféns de um grupo de indivíduos, confusos e sem perspectivas, que, amontoados em salas de aula lotadas, interferem no desempenho escolar de todos os estudantes.

    Sem a percepção de um objetivo para os estudos e sem as consequências disciplinares para suas atitudes, os alunos aprendem o pleno exercício da impunidade, acreditando que não existe consequência para seus atos e que mesmo em situações mais graves tudo pode ser resolvido com brincadeira.
    Será mesmo possível convencer crianças e adolescentes sobre a importância de estudar e de frequentar as aulas, se a própria escola permite que sejam promovidos com rendimento e frequência insuficientes? Para qualquer estudante que questione essa situação a resposta soa como mais um incentivo para não se preocupar com os estudos.

    E nesse contexto, o que faz o sistema? Além de propor paliativos como um manual de conduta para estudantes, ou impor uma série de medidas restritivas aos professores, como se fossem a única causa do problema, o Estado demonstra o seu ponto de vista nas propagandas institucionais, mas não modifica a política educacional que está na essência do problema.

    Não é por acaso que nenhuma escola particular conceituada adota a progressão continuada. Não é por acaso que, de acordo com os números do Seade, atualmente a maior parcela da população economicamente ativa do Estado que enfrenta o desemprego tem entre 18 e 29 anos. São justamente os frutos dessa política.

    Trata-se de uma geração condenada ao subemprego por não ter condições de se integrar ao mercado de trabalho competitivo. Pessoas jovens que não aprenderam a noção de regras e de consequências para seus atos, que certamente pesarão no orçamento de programas sociais do governo.

    Luís Fernando de Lima Júnior é professor de História
    em São José dos Campos

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091231/not_imp488986,0.php

  2. Wandihkleysson disse:
    31/12/2009 às 19:23

    A FSP está de parabéns por NUNCA ter publicado algo assim.
    Não sou professor, nem nunca conseguiria ser o bom professor que a sociedade deve ter. Sou apenas um ex-consumidor da educação pública que dá opinião revoltado com este artigo.
    Vou tentar dar rapidamente a minha opinião, enquanto espero a hora de sair. Há muito mais que não conseguirei dizer.
    As idéias do artigo são típicas dos professores bitolados que aprendi a menosprezar durante todos os meus muitos anos de escola pública (sem sequer cursinhos extracurriculares). Reitero porém a profunda admiração e saudade que tenho por alguns de meus professores que ensinaram coisas muito mais importantes do que havia no currículo oficial.
    Para o ilustre professor, o regime de regime de progressão continuada é uma das causas do aumento de indisciplina e violência dentro da escola. Pergunto: e fora da escola? Quais são as causas do aumento de indisciplina e violência?
    Segundo o ilustre professor, o único estímulo do estudo é obter a aprovação para a série seguinte. Dizendo que não faz “apologia ao passado”, faz a apologia da “pressão exercida sobre os estudantes, quanto à obrigação de se apresentar resultados que garantiam a qualidade e um senso de responsabilidade”.
    Parece que ele não sabe, mas a progressão continuada é, com algumas adaptações, o padrão de ensino básico em países como Japão, EUA e Finlândia (http://www.consciencia.net/2004/mes/17/edu-finlandia.html)( http://veja.abril.com.br/200208/p_066.shtml). Somente em casos extremos é que há retenção dos alunos com graves defasagens de aprendizagem, e principalmente há as aulas de reforços. Nem Bart Simpson consegue ser reprovado em uma típica escola norte-americana. É comum as queixas de alunos que completam o high-school praticamente analfabetos (por diversas razões). Tenho a impressão (impressão, pois não sou estudioso de métodos educacionais comparados) que o nosso sistema de avaliação anual com reprovação é típico de países de tradição latina e católica com Espanha e Portugal. Até no ensino superior, onde o desempenho puramente acadêmico é importante, copiamos por volta de 1968 o sistema norte-americano, com escolha de disciplinas semestrais.
    O ilustre professor sabe e diz, rapidamente, que o regime de progressão continuada previa originalmente aulas de reforço intensivas e avaliações para exclusão de alunos que estivesse muito defasados em determinadas séries (por exemplo, na 3ª, na 5ª e na 8ª). Se não há aulas de reforço para os alunos que não estão atingindo o mínimo, então o problema é outro. Porém o ilustre professor parece estar mais incomodado com sua perda de poder.
    A progressão continuada é até considerada culpada, pelo ilustre professor, pela “desestruturação da capacidade de aprender sozinho pelo estudo – justamente a principal habilidade requerida pela sociedade contemporânea”. Ora, ora, se ela não está ensinando, então os alunos estão aprendendo sozinhos pois todo anos são despejados no mercado de trabalho milhares de jovens.
    Se nossas crianças “crescem acreditando que não precisam dedicar-se aos estudos” é culpa dos pais e dos professores. A maior qualidade de um professor é saber motivar os seus alunos. Antes de se ensinar, deve-se convencer que o estudo compensará, que o que farão será ou é importante.
    O ilustre professor menciona que a carga horária mínima aumentará. Sem críticas ao ilustre professor neste ponto, peço que notem que esta é mais uma daquelas medidas benéficas que não atacam a raiz do problema. Pergunto então se a carga horária será muito diferente da Finlândia onde há 13 semanas de férias anuais ou da Espanha onde há 16 semanas (http://www.consciencia.net/2004/mes/17/edu-finlandia.html). E pregunto se a carga horária maior nos CIEPS (Brizolões) do Rio de Janeiro implicou aumento do rendimento escolar? Uma coisa é, porém, importante. Pais, Conselho Tutelar e o promotor devem ser informados de excesso de faltas dos alunos menores. E os alunos fora da sala de aula? Por que o Estado não assume seu papel na falta de recursos ou vontade dos pais? Por que não há caça-gazeteiros como nas estórias da Lulizinha? Por que menores ficam cheirando cola e crack, cometendo pequenos crimes ou sendo vítimas de violências em plena Praça da Sé sem que o Estado assuma lugar do pátrio poder que se omitiu ou está incapacitado? Estes problemas não afetam a sala de aula do ilustre professor.
    Promoção do aluno condicionada ao cumprimento da frequência mínima no ano letivo é uma besteira exemplar. Alunos muito bons, superdotados, lixam-se para as salas de aula convencionais. O estado insiste em tratar todos como iguais necessitados de seus serviços mesmo quando não são. O pobre aluno muito inteligente é muitas vezes obrigado a submeter-se as caprichos de professores que são mais idiotas do que seus alunos. O ilustre professor gostaria de ter somente alunos assim em sua sala, mas submissos ao seu poder. A história é cheia de casos de gênios matemáticos que foram reprovados pelo professor de alemão, ou de gênios musicais obrigados a aprender a tão útil (para engenheiros) trigonometia. O mundo ideal do ilustre professor é aquele em que um gênio de uma área qualquer (dança, música, futebol, política) possa ser reprovado se não souber coisas utilíssimas (dependendo do momento) como análise sintática, uso de mesóclises, estequiometria, órbitas de elétrons, divisão de polinômios, isostática, etc.
    O ilustre professor acha que bom era quando não tínhamos computador. Antigamente copiávamos sem nenhuma leitura ou reflexão das enciclopédias, hoje copiam da internet. Antes treinávamos caligrafia, hoje treinam uso do computador. Até que melhorou muito, mas, o problema real é que trabalhos escritos são mal feitos pois nunca são devidamente avaliados pelos professores. Os professores deveriam devolver e pedir para que fosse refeito. Nunca o fazem. Nas escolas em que estudei era assim. E diziam que escola pública era boa.
    Para o ilustre professor o ambiente pedagógico que estimula o desempenho é aquele em que há reprovação. E diz que “não é por acaso que nenhuma escola particular conceituada adota a progressão continuada”. Escolas particulares conceituadas selecionam seus alunos não só pela capacidade financeira dos pais, mas também por méritos acadêmicos. Há até vestibulinho para jardim de infância. A escola pública é obrigada a aceitar – felizmente – tanto o aluno favelado filho de um presidiário condenado por tráfico de drogas quanto o aluno com baixa inteligência. Qual escola particular conceituada aceitaria estes alunos mesmo se o Estado pagasse integralmente a mensalidade?
    As escolas públiicas são obrigadas até a aceitar – felizmente – alunos com síndrome de Down. Qual escola particular conceituada aceitaria estes alunos entre seus alunos “normais”? Estudos internacionais provaram que o rendimento de alunos com síndrome de Down é maior quando eles convivem com os “normais”. Mesmo que não acompanhem a classe, eles aprendem a se relacionar com o tipo de pessoas que são a maioria do mundo, aprendem as “malandragens” que os defenderão dos “espertos” e, principalmente, fazem com que os outros os aceitem como são.
    Então é comum que um repórter mau caráter vá até a uma escola pública, escolha o aluno que pareça mais bobinho na turma, e passe um teste bitolado de perguntas básicas da série em que o aluno está. O rosto do aluno entrevistado nunca é mostrado, mas as teses do ilustre professor são comprovadas. Diz ele que “ alunos com defasagem de aprendizagem são aprovados pela progressão continuada, mas não conseguem acompanhar seus colegas de sala de aula. Desestimulados e sentindo-se inferiorizados, manifestam apatia em relação aos estudos, o que tende a agravar ainda mais a situação, pois para sua autoestima é melhor acreditar que não querem do que admitir que não são capazes”. Então o que o professor sugere para o aluno com síndrome de Down? Uma escola com outros tão incapazes quanto ele para que ele aumente a autoestima? Ou uma reprovação que lhe dê mais tempo e também aumente a sua autoestima? Nunca foi bom para o ego de um aluno com menos capacidade intelectual ser reprovado e ficar em uma turma sala com fedelhos 20 cm menores do que a sua altura.
    Para o ilustre professor, a “indisciplina e violência explodem, já que a escola não consegue demonstrar um sentido para os estudos e as famílias não conseguem exercer sua autoridade, tornando professores e alunos reféns de um grupo de indivíduos, confusos e sem perspectivas, que, amontoados em salas de aula lotadas, interferem no desempenho escolar de todos os estudantes”. A solução dele é reprovar todos os que interferem no desempenho escolar dos outros estudantes, ficar apenas com as melhores sementes, e, parece até que deseja jogar o resto para o lixo.
    Se o meio social nem as famílias conseguem tratar com problemas de indisciplina e violência, é função da escola publica cuidar deste problema. É inócuo cuidar apenas de reprovar alunos com mau desempenho acadêmico. Então, atualmente, o trabalho do professor está muito mais árduo, tanto que eu nem me candidato.
    O ilustre professor tem incomoda-se com o que chama de “o pleno exercício da impunidade” e com “que situações mais sejam resolvidas com brincadeira”. Entretanto, até mesmo o ilustre professor tem dúvidas (como eu tampouco nego ter) e pergunta-se: “Será mesmo possível convencer crianças e adolescentes sobre a importância de estudar e de frequentar as aulas, se a própria escola permite que sejam promovidos com rendimento e frequência insuficientes?” Ao mesmo tempo, o ilustre professor se responde dizendo que “para qualquer estudante que questione essa situação a resposta soa como mais um incentivo para não se preocupar com os estudos”.
    O ilustre professor é alguém que só acredita em reforços negativos ou que está incomodado com a perda do sagrado direito de punir os alunos de fraco desempenho acadêmico.
    Eu sou engenheiro e nunca estudei nada de educação, mas li uns comentários sobre a obra de Kanehman e Tversky, que deram o prêmio Nobel de Economia ao primeiro (o segundo morreu antes da escolha). Aprendi que há reforços negativos e positivos, e que as pessoas (e os animais) aprendem melhor quando há reforço positivo. E não se engane, cada vez que elogiar um piloto de avião em treinamento pela manobra bem feita, a manobra seguinte será pior; assim como cada vez que censurar o mesmo piloto por uma manobra mal feita, a manobra seguinte será melhor. Se não entenderam, bem, isto é outro assunto.
    Neste contexto, realmente acho que o sistema só propõe paliativos. Porém, acho que os professores são a única causa do problema, ou melhor, a única solução. O professor de escola pública é mal pago e, pior que isto, pouco valorizado por uma sociedade que valoriza quem tem. Não basta apenas ao professor educar no sentido de passar conteúdos ou ensinar a aprender. Na situação atual com meios sociais e famílias pobres desagregadas, o professor deve ser mãe, pai, irmão e guia espiritual. Entretanto, há uma tendência a achar que professores mais instruídos serão necessariamente professores melhores. Acho bobagem. Aprendi a ler com minha mãe que escrevia chícara e sebola. E daí. Entrei na escola já sabendo escrever e tendo lido muito mais do que alunos da quarta série. Daria emprego de alfabetizadora a qualquer um que escrevesse como ela, desde que tivesse bom caráter e soubesse fazer o que todo professor deve fazer: motivar para o estudo e ensinar a aprender sempre.
    O ilustre professor diz que “não é por acaso que, de acordo com os números do Seade, atualmente a maior parcela da população economicamente ativa do Estado que enfrenta o desemprego tem entre 18 e 29 anos”. Pelo que já ouvi ou li, isto também ocorre na Bélgica, na Itália e nos EUA. É um aspecto social que pode ser influenciado pela educação, mas que não é principalmente influenciado pela educação. O primeiro emprego é difícil em qualquer país do mundo.
    A “geração condenada ao subemprego por não ter condições de se integrar ao mercado de trabalho competitivo” é a daqueles que não tiveram nenhuma oportunidade de ensino na juventude e hoje são semi-alfabetizados ou analfabetos aos 40 ou 50 anos de idade. Um jovem qualquer desloca estes no mercado de trabalho atual. Para ser peão de fábrica montadora de automóveis do ABC exige-se segundo grau completo. Se não tem, vai ser terceirizado em empresa de limpeza. São estes os que mais pesam e pesarão no orçamento de programas sociais do governo, mas o ilustre professor prefere voltar seu rancor para os jovens que não pode não pode reprovar.
    Finalmente, para aqueles que pensam em utilizar este artigo do ilustre professor para atacar a política educacional do José Serra, digo o óbvio: progressão continuada é idéia típica de educador petista. Portanto, cuidado com o que atacam apenas por paixão política.

  3. carlos auugsto soares figueiredo disse:
    31/12/2009 às 22:17

    Seu comentário é totalmente irreal. O “ilustre” professor identficou-se, o Sr. esconde-se atrás de um “apelido”. Para discutir Educação é necesária uma coragem que o Sr. não apresentou; e necessário ter passado pelo menos um mês dentro de uma Escola Pública para observar o trabalho dos Professores e Funcionários e a perspectiva dos alunos.
    Sem isso, Sr., comentários como o seu servem apenas para não servirem para nada.
    Sua opinião nesse caso é um lamento, um fracasso argumento que “não seria aprovado” nem na Progressão Continuada.
    Sou Coordenador Pedagógico e um comentário como o seu não pode passar sem ser contestado pois não cabe mais pessoas como o Sr. emitirem esse tipo de pensamento quando o assunto é buscar melhorar a qualidade de ensino. O assunto é sério, o Sr. em nada contribui, não espere não, saia …

    • professortemporario

      Interessante a pesquisa feita sobre o “ilustre professor”.

      No entanto, essa pesquisa deixou passar dados muitos claros:
      1) Pela foto publicada na versão impressa do Estadão, o ilustre professor deve ter uns 30 anos. (seria um feito alguém com essa idade publicar um livro…)
      2) Esse professor já publicou outro artigo no Estadão intitulado o Gargalo da Educação em São Paulo.
      3) Esse professor não é efetivo da rede estadual e no período em que lecionou não havia processo seletivo para professores temporários da rede. O que existia (e qualquer pessoa que se proponha a observar o ensino público sabe disso) era um sistema que recebia inscrições de portadores de diploma de licenciatura e os classificava em função de idade e tempo de serviço. Isso quer dizer que “quando ele vendeu aulas” nas escolas citadas, entre 2006 e 2007, a pontuação a que se refere a sua classificação consiste no acúmulo de temo de serviço na rede, o que significa que o mesmo iniciou suas atividades docentes recentemente. (é no mínimo leviano sugerir que essa pontuação se deva a uma nota, já que nem existia avaliação de professores naquela época). Do processo seletivo que participou no final de 2008, foi classificado na 30° posição, mas o processo foi revogado pela justiça em janeiro de 2009, em decorrência de ação judicial impetrada pelo sindicato. Por essa razão, o professor não lecionou na rede estadual em 2009 e no dia 30 de outubro foi convocado pela Secretaria de Educação para assumir suas funções docentes, por ter adquirido “estabilidade em função do artigo 2° do parágrafo 2° da lei 1010/07. No entanto, esse professor abriu mão dessa estabilidade e desvinculou-se completamente da rede.
      4) Esse professor é efetivo da rede municipal de São José dos Campos e de acordo com a classificação publicada no site dessa prefeitura, foi o 13° colocado, de um concurso com mais de 600 candidatos, realizado em 2005;
      5) Como professor dessa rede, foi autor de denúncia ao Ministério Público do Estado contra o próprio município, pelo inquérito civil 192/07 da comarca daquela cidade.
      6) Esse professor já publicou artigo acadêmico sobre a Expansão da escolarização básica no Estado de São Paulo entre 1946 e 1980, numa revista indexada da Universidade de Taubaté

      Feito esse esclarecimento, e considerando o respeito a opinião alheia, não parece ser atitude democrática divulgar impressões equivocadas sobre informações pessoais de alguém cuja opinião não nos agrada. Especialmente, se esses equívocos desqualificam o mérito da pessoa em questão e podem ser facilmente desconstruídos.

      Democracia é construída pelo debate, mas não existe debate sem respeito. Sem respeito e numa atitude inconstitucional de anonimato, o máximo que se consegue é destruir; o que não é positivo para a educação

      Luís Fernando de Lima Júnior, professor de História em São José dos Campos

      • Professor,

        Este artigo, em especial, foi escrito para rebater a tese do articulista “Carlos” no Blog do Nassif. Ele havia classificado o professor de “ilustre” (sic).
        A pesquisa demonstrou claramente que o professor não tinha nada de ilustre. Pior que isso: as escolas em que ele teria atuado tiveram desempenhos medíocres.
        Quanto a sua classificação nos diversos Consursos Seletivos, ainda que as “notas” não sejam referentes a provas de conhecimento, e sim “tempo de serviço”, mais uma razão para confirmar que não se trata de um “ilustre” professor.

        Finalizando, esperamos que o professro concentre-se no debate de sua tese/artigo (“Ensinado impunidade”, jornal O Estado de São Paulo, 31/12/2009) e na nossa contestação: A (ir)responsabilidade dos professores.

        Destaque-se que o nosso artigo/resposta “A (ir)responsabilidade dos professores” foi previamente enviado ao jornal O Estado de São Paulo. Mas sua demora em apreciar nos fez torná-lo público tanto neste site quento no Blog do Nassif.

        Por último, espero que não nos desviemos do assunto principal.

        São Paulo, 16/01/2010
        Mauro A. Silva
        Movimento COEP
        https://movimentocoep.wordpress.com/

  4. professortemporario

    A demora na moderação do comentário que fiz retificando as impressões sobre a carreira do ilustre professor tem significado? Será porque “não deu tempo” ou a verdade não é interessante?

    • Professor,

      Conforme explicado em outros momentos, o Movimento COEP é constituido de voluntários. Os comentários são liberados segundo a disponibilidade de tempo de leitura e apreciação.
      O essencial é fazer o debate sobre os pontos do artigo “Ensinado impunidade” (jornal O Estado de São Paulo, 31/12/2009)

  5. professortemporario

    Reprovação escolar é covardia. Mas, covardia maior é divulgar informações falsas sobre pessoas reais.
    Também é covardia não reconhecer que errou e corrigir esse erro. Assim, é lamentável a atitude da moderação deste blog, que se propõe a observar o ensino público sem ter o mínimo de noção para isso. Uma boa ideia conduzida por pessoas más se perde no tempo…

    • Professor,

      Este artigo, em especial, foi escrito para rebater a tese do articulista “Carlos” no Blog do Nassif. ele havia classificado o professor de “ilustre” (sic).
      a pesquisa demonstrou claramente que o professor não tinha nada de ilustre. Pior que isso: as escolas em que ele teria atuado tiveram desempenhos medíocres.
      Quanto a sua classificação nos diversos Consursos Seletivos, ainda que as “notas” não sejam referentes a provas de conhecikento, e sim “tempo de serviço”, mais uma razão para confiramr que não se trata de um “ilustre” professor.

  6. Pingback: A TV Globo, a professorinha-santa e a covarde reprovação das “praguinhas”. « Cremilda Dentro da Escola

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