República: o governo é servo do povo

O principal problema da escola pública brasileira é que lá não existe o espírito republicano. Professores e direção escolar (funcionários públicos) consideram que a educação é um “favor”, uma caridade oferecida às crianças das famílias pobres.
Pior que isso só mesmo o fato de termos uma classe média ignorante, com muitos incrustados no poder público; e que tratam o governo como “patrão”; e que acham que as professoras são “santas-abnegadas” que se sacrificam para catequizar os pobres alunos-capetas das pobres famílias brasileiras.

Não é raro encontrarmos até professores chamando o governo de “patrão”. Isso é a mais pura demonstração de ignorância ou, pior, um completo desprezo pelo Governo Republicano.
Será que estes funcionários públicos não sabem que o governo é apenas um “gerente temporário”? Os professores não sabem que o verdadeiro “patrão” do servidor público é o cidadão? Que o funcionário público é um “servidor público”? Que servidor público deve estar a serviço do interesse público e não atuar em seu próprio interesse? Ou será que os professores acreditam e defendem que as escolas públicas devem atuar como verdadeiros sistemas feudais da Idade Média?

Classe média, preconceito e discriminação
“O governo é aquela mãe que não deve nunca se cansar de educar seus filhos, a população. Sim, porque todos os filhos têm jeito. Um boa mãe sempre acredita” (sic).
Esta frase foi escrita pela jornalista Vanessa Cabral. Ele escreve um blog (“Escola pública não é de graça”), no qual registra suas impressões e experiências de ter dois filhos matriculados em uma escola pública municipal: Emef Brigadeiro Faria Lima, S. Paulo-SP.
No seu último artigo, a jornalista mais uma vez “culpabiliza” os pais pela não participação na vida escolar dos próprios filhos.
O Movimento COEP já denunciou várias vezes a “ingenuidade” da jornalista Vanessa Cabral, pois ela não trata das questões fundamentais e estruturais das escolas públicas. Ela também ignora completamente que a esclusão das mães e dos pais foi construída por décadas… esta exclusão foi construída por professores que não querem ser fiscalizados… a exclusão foi construída por professores que também pertencem a essa ignorante classe média brasileira que acha que serviço público é para pobre; e que pobre tem de se contentar com a “abnegação” das professorinhas que se dedicam a dar (sic) um pouco de conhecimento para as ignorantes crianças das famílias pobres.
Ao Movimento COEP coube responder ao artigo da jornalista Vanessa Cabral no seguinte teor:
Quando falo em “ingenuidade” estou criticando a abordagem dos temas. Por exemplo: a autora do blog induz os leitores a acreditarem que a falta de participação das mães e dos pais seria “falta de interesse”. Isto não condiz com a realidade. A grande maioria das escolas (professores e direção) não quer a participação das mães e dos pais na gestão escolar. Eles simplesmente não aceitam nenhum tipo de fiscalização. E não acho que a jornalista Vanessa seja ingênua. Pelo contrário: ela sabe muito bem o que quer. Tanto que apresenta sua posição: “O governo é aquela mãe que não deve nunca se cansar de educar seus filhos, a população” [em negrito]. É exatamente isto que o Movimento COEP contesta: nós somos cidadãos. Não temos nenhuma subordinação a governos. É o governante que deve satisfação aos alunos, mães, pais e comunidade. É muita pretensão [ou preconceito?] achar que ‘o governo que deve educar o povo’! Deve ser justamente o contrário: o povo educando, cobrando e fiscalizando o governo.

São Paulo, 22/05/2010
Mauro Alves da Silva
Autor da cartilha Como Educar Meu Professor em 10 lições

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