O mito do professor-santo-abnegado-coitadinho

A reportagem “A cada dia, um professor se licencia por dois anos” (Folha de São Paulo, 23/05/2010) diz: “Pesquisadores apontam duas razões para tantas licenças. A primeira é a concepção da escola, que requer para as aulas estudantes quietos e enfileirados. (…) A outra razão são as condições de trabalho. Em geral, os professores dão aulas em classes com mais de 35 alunos, possuem muitas turmas e poucos recursos (não há, por exemplo, microfone)”.
Por que a Folha não diz que esta “concepção de escola” é do interesse de muitos professores que não querem ter o compromisso com o ensino/aprendizagem do aluno? Por que a Folha não diz que é a própria corporação que não aceita trabalhar em uma única escola? Foi a própria corporação que pediu a redução da jornada nas escolas municipais de S. Paulo “para poder pegar mais aulas na rede estadual de SP” em 1992, por exemplo.

thm_goodness100Curiosidade: Na “panelinha do nassif” (um portal com mais de 1500 professores e que expulsa quem defende alunos, mães e pais), não demorou muito para aparecer alguém culpando “a falta de repressão aos alunos”, e que “É preciso reintroduzir elementos de disciplina e de ordem, e temos VERGONHA de fazer isso“… Foi dito até mesmo que grande parte dos professores são competentes… e conclui dizendo que “Esse professor não tem mais em mãos os instrumentos para dominar uma minoria de estudantes VIOLENTOS. Eles tomam conta do pedaço, e a relação padagógica se esfarela. Tenho a impressão de que é isso que está acontecendo“. (“A delicada relação professor-aluno“, panelinha do nassif, 13/02/2010

Foi preciso uma intervenção do próprio Rudá Ricci (citado na Folha) para mostrar as bobagens escritas no artigo publicado na “panelinha do nassif”:
Rudá Ricci disse:
23/05/2010 às 9:16
Como sou citado nesta matéria da Folha (haverá outra, na terça), gostaria de me posicionar:
1) Os dados citados pelo jornalista são de pesquisa que coordeno todo ano junto a todas escolas da rede municipal paulistanta;
2) O texto acima é absolutamente equivocado e não se refere a nenhuma pesquisa da área (neurologia, psicologia, psicopedagogia, sociologia);
3) O problema do momento não é repressão, embora seja disciplina. A palavra disciplina tem origem no latim Disc-o, que significa, numa tradução livre: aprender com sua própria experiência;
4) A repressão está relacionada com reflexo condicionado, elaborado a partir de pesquisas com cães realizadas por Pavlov. A aplicação na educação foi um desastre e o filme Laranja Mecânica retrata parte do resultado;
5) O problema, do ponto de vista científico, é que educação é relação humana. Assim, redes grandes (acima de 15 escolas), com alta rotatividade de professores e diretores, com escolas que tenham mais de 600 alunos e com professores que não possuem dedicação exclusiva é convite ao fracasso. Posso citar dados concretos. O que citei acima está baseado em estudos do Todos pela Educação, Ministério da Educação da França, SARESP, entre outros.
Este tema é muito importante para o país. Não se trata de segurança pública, mas de formação da geração que estará comandando o mundo (em uma década, seremos a 5a potência mundial).

Então ficamos assim: uma imprensa pedófoba que só ouve um alado… e várias panelinhas onde a corporação de professores demonizam os alunos e seus pais, ao mesmo tempo em que se auto-congratulam-se como verdadeiros santos-abnegados-coitadinhos. Este é um dos principais motivos do fracasso educacional brasileiro.
Educação é uma via de “mão dupla”. Uma imprensa livre e independente tem a obrigação de ouvir “o outro lado”, mesmo que a corporação de professorinhas vivam acusando nossas crianças de serem o “lobo mau” desta trágica história da educação brasileira.
UP BROTHERS – A Versão do Lobo Mau – Parte 2
S. Paulo, 23/05/2010
Mauro Alves da Silva
Autor da cartilha Como Educar Meu Professor em 10 Lições.

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