Quem vai avaliar os professores?

Mais um artigo da Folha sobre Educação. Mais um artigo ignorando completamente que os professores são muito diferentes entre si. Não dá para falar em “valorização de professores” tratando todos como se fossem do mesmo nível e como se todos os professores tivessem interesse na formação continuada e na melhoria do seu próprio desempenho.
O artigo “A educação mobilizando o Brasil ” (Folha de São Paulo, 24/05/2010), Milú Villela (maior acionista do banco Itaú) e Mozart Neves Ramos (ex-secretário de educação de Pernambuco) falam da importância da valorização dos professores. Mas não tocam em um ponto fundamental: o que fazer com o os professores que já estão nas escolas? Muitos destes professores não têm o conhecimento mínimo para estar em sala de aula e, mesmo assim, não aceitam nenhuma crítica sobre a sua atuação e também não aceitam fazer cursos de capacitação e atualização.

Professores sem formação
O Brasil tem cerca de 1.600.000 professores. Muitos destes “professores” não têm nem mesmo o diploma do ensino fundamental… Mas, mesmo assim, o Ministério da Educação, seguindo o parecer do “educador” Nelio Bizzo, editou uma resolução acabando com a exigência de diploma universitário para as professoras da Educação Infantil e das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental – só faltou criarem o “Sindicato das Tias”. (leia aqui).
Em SP, em um concurso recente, 182 mil professores (com curso superior) fizeram uma prova para continuarem vendendo aulas na rede estadual paulista. Pois bem: 48% destes professores não atingiram nem mesmo a nota mínima 4 (em uma escala de 0 a 10)… leia aqui… Mesmo assim, o governo paulista entregou nossas crianças nas mãos destes “professores”… O sindicato de professores de SP até fez uma greve de 30 dias para exigir o fim das provas para os professores (leia aqui)…
Se isto acontece no mais rico estado do Brasil, imaginem como está a situação nas outas regiões do país…

Salário inicial para os professores
A banqueira e o ex-secretário falam da importância de se ter um bom sálário inicial para atrair os melhores alunos para o magistério.
Mas isto esbarra em um dogma fundamentalista da corporação: a isonomia salarial. Qualquer aumento salarial deve ser destinado a todos os professores, inclusive aos maus professores, aos que não tem nenhum compromisso com os alunos, aos que estão apenas contando o “tempo de serviço” até que chegue a sua aposentadoria…

Perfil dos atuais professores
Se o próprio artigo reconhece que precisamos de “salários iniciais atraentes, carreira promissora, formação inicial sólida e condições de trabalho apropriadas” para atrair os melhores alunos para o magistério, pode-se concluir que o atual sistema está atraindo os piores alunos… e isso vem acontecendo há décadas…
O professor José Pacheco (Lisboa, Portugal) escreveu um artigo com o título “Os ‘ outros'” (Revista Educação, nº 117, janeiro de 2007), destacando a seguinte frase de Lorraine Moureau: “um terço dos professores é muito bom, um terço pode ficar bom, um terço deve mudar de profissão“.
O problema principal é: o que fazer com os professores que já estão nas escolas?
Mas tem um ponto que ninguém quer tocar: o que fazer com a terça parte dos professores que “devem mudar de profissão? Vão demitir 500 mil professores brasileiros? Ou vão esperar eles se aposentarem ao longo dos próximos 30 anos?

Artigo não fala das mães e nem dos pais
O Movimento Todos pela Educação cita os países mais desenvolvidos, justamente os que mais investem em educação e também na valorização dos professores. Mas, curiosamente, a banqueira e o ex-secretário omitem o fato de que as escolas (e os professores) são avaliados regularmente. Em muitos países, um avaliação negativa da escolas é seguida de intervenção, chegando até mesmo à demissão de todos os funcionários, professores e direção. Além disso, todas as informações são disponibilizadas à sociedade e existem garantias para que as mães, os pais e a comunidade exerçam um fiscalização e um controle externo sobre o serviço público educação.

Sem um efetivo controle externo do serviço público educação, a proposta do Movimento Todos pela Educação não passa de um conto da carochinha, do tipo “O rei, o burrinho e o espertalhão”:
– Um rei tinha um burrinho de estimação.
– Sentindo-se só, o rei prometeu uma fortuna a quem ensinasse seu burrinho a falar;
– Um espertalhão comprometeu-se com o rei: ensinar o burro a ler e escrever;
– Como a empreitada era muito dificil, o espertalhão pediu 20 anos de prazo;
– Os amigos do espertalhão ficaram preocupados: se não não ensinar o burro, o rei te corta a cabeça;
– O espertalhão confidenciou: são 20 anos de mordomias… em vinte anos, ou eu, ou o burro, ou o rei estará morto…

São Paulo, 24/05/2010
Mauro Alves da Silva
Autor da cartilha Como Educar Meu Professor em 10 Lições

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2 Respostas para “Quem vai avaliar os professores?

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