O problema é a escola de turnos, estúpidos!

O grande Darcy Ribeiro já denunciava que o principal problema da escola pública brasileira era o seu funcionamento em turnos, apelidado por ele de escola-motel.
Agora vem a USP (Universidade de São Paulo) com uma tese de doutorado dizendo que morar em cortiço afeta o desempenho escolar das crianças… e que as crianças “não tem lugar para estudar em casa” (“Estudantes que moram em cortiço possuem
quatro vezes mais chance de repetir de ano
“, Portal R7, 05/06/2010).

Esta pesquisa e a consequente “tese de doutorado” servem mais para livrar a cara das escolinhas e das professorinhas… Elas não ensinam nossas crianças e ainda culpam os seus pais e as condições sócio-familiares das crianças brasileiras…
Em qualquer país minimamente civilizado, as crianças ficam na escola em tempo integral… e as “lições de casa” servem para reforçar o que foi aprendido na escola… não dá para exigir que os pais ensinem ao filhos o que as professorinhas não foram capazes de ensinar-lhes.

Cidade do Rio de Janeiro reprovando nossas crianças
O novo prefeito carioca importou uma burocrata de S. Paulo para a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro…
A primeira medida da burocrata foi reinstituir a covardia da reprovação escolar…
a reprovação escolar é uma covardia porque joga nas costas do aluno e de sua família a responsabilidade pelo fracasso da escolas e o fracasso das professorinhas…
Desse jeito é muito fácil ser professorinha no Brasil: ficar desfilando durante 4h ou menos na frente dos alunos… ficar jogando matéria na lousa… ficar mandando as crianças copiarem… fazer provas copiadas dos livros… dar nota baixa para as crianças que não aprenderam porque não foram ensinadas… reprovar nossas crianças… culpar as mães pelo fracasso da escolinha e das professorinhas… e ainda assim receber o salário mensal sem nenhum tipo de cobrança e nem avaliação sobre o desempenho de seu serviço…

Professorinhas da escolinha pública mandam as mães contratarem “explicadoras” por R$ 70
O jornal Extra (Rio de Janeiro) fez uma série de reportagens sobre a volta da covardia da reprovação na Cidade do Rio de Janeiro…
Mas nem mesmo o jornal Extra indignou-se com a sugestão de uma escolinha para uma mãe de aluno: “(…) Já a mãe de Katelin disse que a escola sugeriu que pagasse aulas de reforço para a filha. Mas a dona de casa lamentou não ter como arcar com R$ 70 pelo serviço de explicadora”. (“Após a aprovação automática“, 10/05/2010).
A covardia da reportagem está em não informar que foram as escolinhas e as professorinhas que transformaram a proposta de “Progressão Continuada (exige avaliação continuada)” em “aprovação automática (a professorinha não presta contas a ninguém)”. Veja o vídeo abaixo.

E pensar que o Rio de Janeiro foi palco de uma das maiores revoluções na educação brasileira: os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), que ofereciam Educação Integral em tempo integral.
Agora temos uma burocrata que sonega as notas individuais das escolas ao mesmo tempo em que reimplanta a covardia da reprovação escolar contra nossas crianças.
O governador Leonel Brizola e o antropólogo Darcy Ribeiro devem estar se revirando nos túmulos.

O Brasil não pode se dar ao luxo de perder nossas crianças
Desde o Brasil colonial até a metade do século 20, bastava formar uma meia dúzia de feitores ou capitães-do-mato para conter a grande massa de brasileiros que só serviam para trabalhos escravos ou de baixa-qualificação…
Com a inserção do Brasil em um mundo globalizado e altamente competitivo, a escola pública tem o dever de bem formar todas as nossas crianças. Não devemos aceitar desculpinhas esfarrapadas e não adianta culpar as famílias de baixa renda… Temos de garantir uma Educação Integral em tempo integral para todas as nossas crianças e adolescentes… e que as escolinhas e as professorinhas sejam diariamente cobradas para que exerçam bem o seu serviço público. A questão salarial é importante, mas é jogar dinheiro fora se não houver um controle externo do serviço público educação. Os bons professores devem ser incentivados e premiados. Os maus professores devem ser reciclados ou demitidos. É simples assim.

São Paulo, 08/06/2010
Mauro Alves da Silva
Autor da cartilha COMO EDUCAR MEU PROFESSOR EM 10 LIÇÕES.

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