A covardia do jornal Zero Hora contra as crianças

Na sua campanha contra os direitos da criança (querem rebaixar a idade penal?), o jornal Zero Hora (Rio Grande do Sul) publica mais uma matéria covarde contra nossas crianças que são diariamente massacradas física e moralmente nas escolas públicas.
Em uma reportagem tendenciosa, o jornal Zero Hora traz a seguinte manchete: “Relembre casos de agressões físicas a professores nos últimos dez anos no Estado” (02/07/2010). Essa “relembrança” teria sido motivada pela seguinte notícia: “Aluno de 13 anos agride professora em Venâncio Aires” (02/07/2010)…. o aluno, do nada, teria dado socos na professora, que simplesmente teria negado a entregar a sua prova antes de entregar as dos outros aluno… [acredite se quiser].

O pior da reportagem não está na “parcialidade”, em não ouvir o “outro lado”, mas sim em “santificar” as professorinhas e “demonizar” os alunos.
O quadro “A face da violência na escola” só trás casos de agressões (ou “supostas” agressões) de alunos contra professores. Nenhuma referência aos casos em que funcionários, professores ou diretores agridem alunos e seus pais… nenhuma referência de que a maior parte dos casos de bullying (agressões físicas e morais entre alunos) acontecem na própria sala de aula, muitas vezes na frente dos próprios professores, muitas vezes com incentivo dos próprios professores…

Imprensa Nota Zero
Um dos caos citados é exemplar na parcialidade e na miopia do Jornal Nota Zero Hora e dos jornalistas nota zero. No caso da escola estadual Bahia (Porto Alegre, RS), a própria reportagem trás todos os indícios de que a aluna de 15 anos teria reagido aos xingamentos da professora quando ela, aluna, teria ido tirar satisfação pelo ato da professora ter jogado chá na cara do seu primo…
A reportagem trata a professora como “Professora agredida”, e a aluna como “Aluna que agrediu a professora Gláucia”…
– Destaque para a fala da professora: “Para lá, não volto mais”…
– Destaque para a fala da aluna: “Não me arrependo”…
[O Jornal Nota Zero Hora deve considerar uma suprema heresia uma aluna-capeta não pedir perdão para uma professorinha-santa, nos mesmos moldes em que se davam as confissões forçadas na Santa Inquisição da Idade Média].
O Jornal Nota Zero Hora menosprezou até mesmo a declaração de uma colega da professora, declaração que acusa a professora de usar xingamentos preconceituosos ou racistas contra a aluna de 15 anos:
ZH – Mas uma colega sua disse que a senhora usou termos como “vileira” e palavras racistas.
Glaucia – Eu disse que aquela reação era bem coisa dela, posso ter dito que era coisa de uma vileira, mas não utilizei nenhum termo racista.
[o repórter engoliu a resposta e passou para outra pergunta…]

Falta Escola? Vamos rebaixar a idade penal!
O golpe mais baixo do Jornal Nota Zero Hora foi ressuscitar um artigo do repórter policial Humberto Trezzi. Comentando o assassinato de um professor, cujo assassino teria mais de 18 anos, o repórter-policial destila todo o seu ódio contra as crianças e culpabiliza o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (lei federal 8069/1990) pelo aumento da violência e indisciplina nas escolas públicas. Na sua “santa” ignorância pedagógica, o aspirante a rasputin não defende explicitamente o rebaixamento da idade penal, mas diz o seguinte: “Talvez não seja essa a solução. Mas é certo que agressores como os que proliferam nas escolas deveriam, pelo menos, ficar mais tempo atrás das grades do que os três anos máximos de restrição da liberdade a que se submetem homicidas-mirins” (sic). (27/03/2008, veja aqui)

Professores-mestres-sacerdotes-idealistas versus homicidas-mirins
Para saber o nível intelectual do jornalista-repórter-policial Humberto Trezzi basta ver que ele inicia o texto qualificando os professores de “sacerdotes, idealistas, que se sacrificam no magistério”; e, no final do texto, ele trata nossas crianças, que são de famílias pobres em sua grande maioria, como “homicidas-mirins”…
Esse é o nível dos repórteres do Jornal Nota Zero Hora? Por que ninguém fala em uma educação integral em tempo integral? Ou será que apenas as crianças ricas ou filhas dos jornalistas é que tem direito a uma educação em tempo integral?

São Paulo, 05/07/2010
Mauro Alves da Silva
Autor da cartilha COMO EDUCAR MEU PROFESSOR EM 10 LIÇÕES.

Assista aos vídeos:
TV GLOBO quer castigos mais severos?

TV Record e os 3 ratinhos cegos

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