A covardia dos jornais Folha de SP e Agora SP contra os alunos


Mais uma vez o grupo Folha (jornais Folha de São Paulo e Agora São Paulo) ataca covardemente a honra dos alunos das escolas públicas, alunos que são de famílias pobres em sua grande maioria.
Os jornais do Grupo Folha criticam a polêmica proposta do governo de SP (dar R$ 50 para os alunos que assistirem aulas de reforço escolar) sob falsos argumentos morais, condenando a prática de incentivos em dinheiro para os alunos (“recompensa argentaria”, nas palavras do editorial “Compram-se alunos” – Folha de São Paulo, 14/08/2010)… ou dizer explicitamente: “o que não pode é dar dinheiro” (editorial “Idéia Infeliz”, Agora São Paulo, 14/08/2010).
O editorial da Folha realça: “Há comportamentos que devem ser perseguidos independentemente do benefício material que possam gerar. Esse princípio vale para a honestidade e o respeito ao próximo. Vale também para o esforço escolar”.
O Editorial do Agora SP destaca: “Há coisas na vida que não se vendem, nem se compram. O esforço escolar é uma delas –do mesmo modo que a honestidade e o respeito ao próximo”.
Como os alunos não têm organizações fortes e nem dispões das verbas públicas milionárias dos sindicatos de professores, as covardes críticas contra os alunos das escolas públicas ficam sem resposta equivalente…
Os ataques morais ao caráter dos alunos das escolas públicas só fazem fortalecer o maucaratismo dos maus corporativistas que dominam as escolas públicas brasileiras…
E a mídia – na mão da elite econômica – e os jornalistas – com seus filhos nas escolas particulares – estão pouco se importando com as reais causas da baixa qualidade do ensino público… quanto pior está a escola pública, menos concorrência para os filhos da elite econômica brasileira…

Curiosamente, nos jornais do Grupo Folha não houve a mesma crítica em relação ao trabalho dos professores, por exemplo. Não temos registros de editoriais contundentes atacando a propostas de “Bônus para professores”, prêmios em dinheiro para que os professores não faltem ao trabalho… mais prêmio extra em dinheiro para que os professores façam direito o trabalho para o qual foram contratados… mais dinheiro na conta do professor para que ele participe de atividades comunitárias nas escolas etc…

Outra curiosidade: os editoriais dos jornais do Grupo Folha elogiam a proposta do governo de SP em pagar R$ 115 a 400 alunos do ensino médio para que eles ensinem matemática a alunos do ensino fundamental!!!
Perguntinha que não quer calar: por que o jornal Folha de São Paulo e o jornal Agora São Paulo não destacaram que estes alunos vão tentar fazer o que os professores não foram capazes ao longo de anos? Não dá para falar em “reforço escolar” quando nem mesmoas aulas regulares são oferecidas ás crianças das escolas públicas, uma grande maioria de crianças oriundas de famílias pobres…

Os editoriais falam que “não pode dar dinheiro para o aluno estudar”, pois poderia deformar-lhes o caráter : “Criança tem que estudar porque tem que estudar. É uma obrigação, e elas precisam aprender a cumprir com seus deveres” (editorial “Idéia Infeliz”, Agora São Paulo, 14/08/2010).
Pena que estes mesmo editoriais sejam tão “bonzinhos” quando fala dos professores: “É preciso investir na preparação dos professores e remunerá-los melhor, por exemplo. Eles devem ser estimulados a dar aulas melhores e mais interessantes” (editorial “Idéia Infeliz”, Agora São Paulo, 14/08/2010).

É óbvio que uma boa educação não deve partir da necessidade de pagar aos alunos para que eles assistem aulas de reforço ou recuperação.
Uma verdadeira análise sobre as causas do baixo nível das escolas brasileiras deveria começar pelos motivos que a nossa elite econômica adotou o modelo de “escola motel”, uma escola de turnos, de meio período, oferecendo menos de 4 horas diária de aulas…
A reposta está implícita no editorial da Folha de São Paulo: “Quanto custará, ainda, para o poder público realizar com competência esse trabalho?” (editorial “Compram-se alunos”, Folha de São Paulo, 14/08/2010)…
Certamente, a grande questão é quanto a elite econômica brasileira aceitará pagar para que o Brasil tenha um escola pública de boa qualidade… a maior parte dos impostos vai para pagar juros da dívida interna e externa, cujos principais credores são brasileiros, brasileiros que têm mais der R$ 50 mil aplicados nos bancos… a elite econômica brasileira, incluindo os filhos de muitos jornalistas, estuda em escolas particulares e descontam as mensalidades escolares do seu imposto de renda devido… ou seja: é a população com renda mais baixa (classes C, D e E) que coloca o filho na escola pública ao mesmo tempo em que financia as escolas particulares para os filhos da elite econômica brasileira (classe A e B).

O ataque à moral e a ética dos alunos da escola pública podem ser vistos na charge do jornal Folha de São Paulo de hoje: um aluno pede a “cola errada” para fazer o reforço escolar e ganhar R$ 50″ (veja a charge aqui).

Dito tudo isso, fica evidente que os editoriais do Grupo Folha na passam de ataques covardes contra a moral e a ética dos alunos das escolas públicas.

São Paulo, 15 de agosto de 2010.
Mauro Alves da Silva.
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
http://movimentocoep.ning.com/
Autor das cartilhas:
– “Como Educar meu Professor em 10 Lições”
– “SOS Aluno – Manual Prático de Sobrevivência na Escola Pública”

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