A Presidenta Dilma e a Educação em SP.

Dilma Rousseff, presidenta eleita do Brasil, disse que vai priorizar a Educação e que pretende “honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural”.
Vale destacar que as mulheres já são ampla maioria na Educação do Brasil. No ensino fundamental, o corpo docente (professores) é formado por mais de 95% de “professoras”. Os homens são a “minoria”… as alunas também já são maioria nas escolas brasileiras, até mesmo nas universidades…
Se a Educação brasileira encontra-se nos piores lugares em comparação com outros países, certamente as mulheres brasileiras têm grande parte desta responsabilidade sobre esta situação.
Estas mesmas mulheres, que “dominam” a Educação no Brasil, também são diretamente repensáveis pela exclusão das mães na gestão democrática das escolas.
Esperamos que Dilma Rousseff, presidenta eleita do Brasil, não fique refém do mau corporativismo e leve em conta a opinião dos alunos, das mães, dos pais e da comunidade.

“A Versão do Lobo Mau – Parte 1, UP BROTHERS)

PróUni, ENEM, Prova Anual para os Professores…
Aqui, no Estado de São Paulo, as corporações de professoras e diretoras não querem nem ouvir falar em “eleição direta para diretor de escola”; não querem nem ouvir falar em participação das mães (e dos pais) na gestão da escola pública…
O mau corporativismo dos professores combate tudo o que foge do seu controle:
– O mau corporativismo foi contra o PróUni, pois eram e continuam sendo contra o governo financiar as vagas para os alunos nas universidades particulares;
– O mau corporativismo foi contra a divulgação das notas do ENEM, pois eles são contra a possibilidade de alunos, mães, pais e comunidade avaliarem o desempenho das escolas e dos professores;
– O mau corporativismo foi que criou a “aprovação automática”, pois não queriam e não querem promover uma avaliação continuada e individualizada dos alunos;
– O mau corporativismo não aceita a diretriz constitucional de municipalização do ensino fundamental, pois isto permitiria um maior controle por parte da comunidade local sobre o serviço público educação;
– O mau corporativismo não aceita ser avaliado e nem atualizar seus conhecimentos… aliás, um dos motivos da greve em SP foi para que o governo engolisse os professores-nota-zero nas escolas públicas, para que o governo de SP efetivasse os professores-nota-zero mesmo sem que eles passassem no concurso público.
(A presidenta Dilma não precisa acreditar nas nossas singelas palavras… basta perguntar ao presidente Lula se ele teve o apoio da corporação de professores na divulgação das notas do ENEM ou na criação do PróUni… a presidenta vai sentir na pele a força do “mau corporativismo” quando for cumprir a sua promessa de cria 6 mil creches no Brasil, pois o “mau corporativismo” já declarou que não aceita que sejam feitos conv~enios coma entidades sociais e nem com escolas particulares.)

Violência Escolar e o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos
Em SP, o mau corporativismo não aceita nem mesmo colocar em debate ou votação o projeto de lei que cria o Plano Estadual de Educação… Também não aceitam a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente nas escolas públicas… O presidente do sindicato dos diretores já disse, em um vídeo público, que não interessa o que diz a lei…Embora a lei estadual 3913/1983 proíba expressamente a cobranças de taxas e de uniformes, é muito comum as escolas públicas paulistas suspenderem e até mesmo expulsar alunos que não comprem o uniforme escolar…
Vale destacar que as escolas públicas paulistas ignoram completamente a Resolução da Secretaria de Educação SE 80/2002, a qual obriga o registro de todas as ocorrências de furto, roubos, agressões etc nas escolas… as diretoras maquiam estes números para garantir mais verbas para as escolas…
Dito isso, fica evidente que o mau corporativismo das escolas públicas será um grande obstáculo para a implantação do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (decreto nº 7037/2010) nas escolas públicas:
– Diretriz 19: Fortalecimento dos princípios da democracia e dos Direitos Humanos nos sistemas de educação básica, nas instituições de ensino superior e nas instituições formadoras;
– Assegurar a qualidade do ensino formal público com seu monitoramento contínuo e atualização curricular;
– Implantar sistema nacional de registro de ocorrência de violência escolar, incluindo as práticas de violência gratuita e reiterada entre estudantes (bullying), adotando formulário unificado de registro a ser utilizado por todas as escolas.

Conclusão:
Mas isto de nada adiantará se não houver um Observatório da Violência Escolar onde sejam, de fato, registrados todos os casos de “violência escolar”, identificando claramente as vítimas e os agressores (alunos, mães, pais, funcionários, professores, diretores, outros). Um Relatório anual deverá ser publicado com as estatísticas referentes a cada escola, indicando o número de casos, o tipo de caso (agressão física ou moral, vandalismo, furto, roubo etc) e também se o caso foi resolvido.
Outro ponto fundamental: a criação de uma Ouvidoria do Aluno para registrar as reclamações dos alunos, das mães e dos pais contra as escolas públicas. Essa Ouvidoria do Aluno só vai funcionar de forma eficaz se for independente da corporação de professores e diretores.
Já está mais do que na hora de acabar com o mito da professorinha-santa-abnegada (que está sempre certa) versus o aluno-capeta (que estaria sempre errado). Toda história tem dois lados…

SP, 01/11/2010
Mauro Alves da Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
http://MovimentoCOEP.ning.com

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