Se a prioridade é o professor, como fica o mau professor?


No programa Painel (GloboNews, Rede Globo – 18/12/2010), um dos debatedores disse: “a prioridade é professor, professor e professor”.
O debate abordou vários temas da Educação, mas faltou ampliar o número de debatedores: faltaram representantes de alunos, das mães e dos pais, dos professores da educação infantil etc…
A iniciativa foi boa, mas faltou aprofundar vários temas. Não dá para ficar só na “superfície”. Não dá para falar da importância da família sem apurar a real situação da família, sem considerar que as escolas públicas não aceitam a livre participação das famílias na gestão escolar…
O debate sobre “currículo” ficou muito aquém do necessário… faltou dizer, por exemplo, que nem mesmo a carga de 800h é cumprida nas escolas públicas… não dá para aplicar um currículo decente em escolas de “meio período”…
Fica a sugestão para que o debate seja ampliado e não fique restrito as mesmas “figurinhas carimbadas” de sempre. Quem sabe, até mesmo, a realização de seminários, dando-se mais do que 2 ou 3 minutos para que cada debatedor exponha claramente as sua idéias.
Vejam os dois vídeos completos aqui: 1ª parte e 2ª parte.
De qualquer forma, destacamos um trecho no qual Ilona Becskehazy, da Fundação Lemann, cobra a responsabilidade dos professores: veja o vídeo Professor não é vítima.

Esperamos que um debate amplo aborde também os seguintes temas:
1) eleição direita para diretor de escola, com contrato de gestão e participação democrática de alunos, pais e comunidade;
2) educação integral em tempo integral;
3) professores que tenham dedicação integral a uma única escola;
4) que a “prova dos professores” não consagre as “corporações de ofício”. Um professor de matemática está plenamente qualificado para ensinar “física ou química” no ensino médio, por exemplo. Um bacharel em Direito poderá ensinar “língua portuguesa” ou história também…
5) Não adianta fazer a “prova inicial” e não ter avaliação continuada sobre o desempenho dos professores;
6) A grande questão é o que fazer com os “maus professores”, aqueles que não ensinam, não aceitam nenhum controle sobre o seu desempenho, não aceitam qualquer avaliação, e não vão sair “livremente” das escolas públicas…
7) Existe também a necessidade de fazer um amplo debate sobre a “violência escolar”, dando-se principal destaque á violência institucional e aquela praticada por funcionários, diretores e professores… essa violência não está sendo devidamente pesquisada e nem mesmo constam das políticas públicas.

A Rede Globo poderia chamar uma ampla discussão sobre a Educação.
Os educadores Mário Sergio Cortela, Vitor Paro e o português José Pacheco são bons nomes para este início de debate.
Como aperitivo, apresentamos um vídeo do professor Mário Sergio Cortela:
Pedagogia do Passado.

São Paulo, 20/12/2010.
Mauro Alves da Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
http://movimentocoep.ning.com/

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