Mais uma “carteirada” na escola pública…

Carteirada garnte vaga em escola municipal de S. Paulo.
Sabe aquela jornalista que contava historinhas da carochinha sobre as escolas públicas de SP? Sobre a escolinha estadual Brigadeiro Faria Lima, em Perdizes, zona nobre da capital de SP?
Pois bem: ela deu uma “carteirada” e conseguiu matricular seu filho na escola Municipal Emef Desembargador Amorim Lima, no Butantã, região nobre da capital de São Paulo!

Mais um modelo de exclusão.
Essa escolinha municipal Emef Desembargador Amorim Lima é excludente… além de cobrar uma taxa mensal para a APM (ainda que “voluntária”), a escolinha chega ao cúmulo de impedir crianças de assistirem aulas por alagada falta de uniforme (vide ata da reunião do Conselho de Escola de 02/09/2009). Curiosamente, pararam de publicar as atas depois que os pais pediram um painel no qual colocariam as faltas e atrasos dos professores!
Dizem que esta escolinha Amorim Lima é inspirada na Escola da Ponte, de Portugal, dirigida pelo professor José Pacheco….
Pura balela.
A Escola da Ponte aceitava todo tipo de criança, inclusive aquelas “rejeitadas” por todas as outras escolas, e não apenas alunos com alto “Q.I.” (Quem Indica)!
Aliás, existem várias denúncias de casos em que crianças vizinhas de escolas “modelos”, principalmente dos Centros Educacionais Unificados, estão sendo preteridas em favor de crianças que moram distantes, mas que têm “bons” padrinhos políticos!!!
A jornalista Vanessa “Alice na escolinha das maravilhas” Cabral trabalha em uma revista dirigida á elite econômica paulistana e parece contar com a simpatia do jornalista Gilberto Dimenstein, o qual tem milionários negócios em parceria com a prefeitura de São Paulo…

Quem está contra o sistema Republicano?
Curiosamente, a jornalista Vanessa “Alice” Cabral ataca uma das principais propostas republicanas e moralizadoras na questão da matrícula escolar: unificação das matrículas nas redes estadual e municipal, priorizando a criança mais próxima da referida escola.
Esse modelo foi adotado após a Campanha Vagas Para Todos, organizada pelo Fórum Municipal de Educação e pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, em 1998. Antes disso, era comum encontrarmos as famigeradas “filas” na portas das escolas para a mendicância de vagas! As direções escolares escolhiam os alunos “mais adequados” para a escola, dando-se preferência a quem pudesse pagar as ilegais taxas escolares…
A jornalista Vanessa “Alice na escolinha das maravilhas” Cabral relata que o secretário municipal de educação, Alexandre Scheider (sic), depois de ler o blog dela, arrumou vaga para o seu filho e mais 50 crianças!!! Só não falou como é que a escolinha tinha justificado a exclusão de 2 salas cheias de alunos para o secretário Alexandre Schneider… Será que era para favorecer as escolinhas particulares na região???

Sonegando informações vitais:
A jornalista Vanessa “Alice” Cabral ainda não divulgou o Regimento Interno da Escola Estadual Brigadeiro Faria Lima, nem o seu calendário escolar, nem ata da reunião da eleição do Conselho de Escola em 2010.
Agora, na escolinha Emef Desembargador Amorim Lima, esperamos que a jornalista tenha a coragem de divulgar o processo eleitoral do Conselho de Escola e também o painel de faltas e atrasos dos professores… E dizem que essa é a escola mais aberta para a comunidade…

São Paulo, 15 de fevereiro de 2011.
Mauro Alves da Silva
Coordenador do Movimento COEP –
MovimentoCOEP.ning.com
***
Trecho da Ata de Reunião Ordinária do Conselho de Escola de 02 de setembro de 2009:
“Magali informou sobre o ocorrido com o filho que não pode assistir à aula por não ter uma peça de roupa do uniforme. (…)
Ana Elisa [diretora da escola] Coloca que os alunos não ficarão fora da escola, apenas não poderão entrar na sala de aula, devendo ficar na biblioteca, por exemplo”.

http://www.amorimlima.org.br/tiki-index.php?page=Ata+de+02+de+setem…

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2 Respostas para “Mais uma “carteirada” na escola pública…

  1. 14/02/2011

    O EGITO É AQUI…

    Hoje é dia 14 de fevereiro, meus filhos e mais 50 crianças (enfim!) tiveram o direito de ir à aula. SIM! TODOS ENTRARAM NA ESCOLA. A diretora da EMEF Desembargador Amorim Lima, Ana Elisa, nos contou empolgadíssima que o secretário de educação Alexandre Scheider, após ler este blog, ligou para ela, na sexta-feira, por volta das 11h da manhã. Indignado com o relato do texto BURROCRACIA 2, ele avisou que até o fim da tarde todas as vagas estariam liberadas para a matrícula. O que, de fato, aconteceu.

    Que bom, senhor Scheider. Fico muito feliz em saber que temos alguém responsável (e disposto a ouvir a sua clientela) no comando da educação municipal de São Paulo. E mais que isso, que podemos trabalhar juntos (pais, professores, funcionários e gestores) por um serviço mais respeitoso e eficiente, que atenda aos direitos do consumidor.

    Sim, somos consumidores. Todos nós pagamos por esse serviço e temos o direito (e dever) de cobrar qualidade e respeito. Ainda mais por ser um serviço público e que, longe de ser de graça, tem um alto custo para o país.

    Claro que fomos ouvidos pela pressão que exercemos ao longo de toda semana passada, inclusive via assessoria de imprensa da SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO. Não sou ingênua, sou jornalista: talvez se eu fosse doméstica a pressão não teria tanta força. Infelizmente cultivamos a mentalidade de que a faixa da sociedade mais a base da pirâmide pode ser tratada como boiada, não merece ser ouvida, não deve dar palpite. Como bem me disse o escritor Laurentino Gomes, em uma entrevista para revista Poder (www.revistapoder.com.br), o maior custo histórico do Brasil é esse: a população não ter sido convidada a participar das decisões políticas durante 500 anos. Felizmente, ele lembra, estamos contabizando 25 anos de democracia. “Nunca houve um período tão longo de participação coletiva”, diz.

    Pois é, enquanto não mudarmos essa mentalidade, carregaremos um peso histórico que emperra o real crescimento do país. Na prática, no cotidiano, só enxergo uma saída, aquela que defendo desde que entrei nessa e resolvi começar a escrever este blog: o uso dos serviços da rede pública por representantes da classe média, mais articulada e esclarecida, que sabe exigir e cobrar qualidade.

    A experiência da semana passada serviu para eu notar (e acreditar) que de fato o ingresso, na rede pública, de pessoas que sabem como exigir seus direitos e cobrar que gestores cumpram suas funções, é a única maneira de revertermos na prática um processo que já se mostrou ineficiente.

    O que eu encontrei na Amorim Lima, onde há uma mistura muito interessante de pessoas de vários níveis sociais e culturais? Uma turma de pais/consumidores articulada, que não vai se intimidar com um argumento burocrático qualquer e se conformar com um procedimento que anda tumultuando o início do ano letivo na capital paulista e causando muita encrenca nas vidas de centenas de famílias.

    Encontrei já hoje, no primeiro dia de aula, uma mãe animada e falante, que andou pesquisando leis que rondam este tema e encontrou um caminho viável (e legal) para mudarmos, juntos, o rumo desse tal processo centralizador que tira das famílias o direito de escolher a escola de suas crianças.

    Senhor Scheider, agradeço a sua atenção. Agradeço porque o senhor fez o seu trabalho. O que é um ponto bem positivo num país em que temos que cobrar produtividade de pessoas que ganham salário e não exercem suas funções devidamente. O senhor ganhou alguns pontos no boletim.

    Espero que, com a mesma atenção que dispensou aos casos pendentes da Amorim Lima, se empenhe em resolver os tantos outros absurdos que sabemos que estão rolando na matrícula de crianças na rede municipal de ensino de São Paulo. Um trabalho que o senhor não teria se o sistema fosse menos centralizador e totalitário, e desse mais autonomia para os diretores, funcionários, professores e associação de pais das escolas, que são quem de fato conhecem a demanda, as necessidades e desejos do seu consumidor.

    O mais importante (e a experiência da semana passada deixou isso bem claro para mim) é baixarmos as guardas, aposentarmos de vez o velho discurso de inimigos públicos, pararmos de apontar o dedo para quem está no comando ou desdenhar quem está embaixo, e caminhar juntos, em direção ao nosso objetivo comum: uma boa educação para nossas crianças. Todos queremos um país decente, com cidadãos éticos, certo? Pois é, isso começa na matrícula da escola.

    Da faxineira da escola, passando por professores, pais, alunos… até o secretário de educação, todos estamos do mesmo lado. E estamos do mesmo lado no município, no estado e na federação. Outro absurdo que percebi semana passada: uma guerra fria entre a rede de educação do município e do estado. Uma bobagem sem fim, que começa desde os funcionários dos postos mais baixos no organograma da rede de ensino até os mais altos gestores. Sim, essa rixa é motivada, entre outras coisas, por um sistema de distribuição de verbas, disputas políticas e blábláblá. Mas, por favor, que não esqueçamos que o objetivo primordial disso tudo é a educação de crianças.

    Crianças que abrem lindos sorrisos, correm para os braços de seus pais e contam animadas como foi incrível o primeiro dia de aula.

    Não acabemos com os sonhos desses pequenos cidadãos por causa de intriga, falta ética, birra, má vontade ou pura burocracia.

    Nosso lindo país não merece.

    Escrito por vanessa.cabral às 19h34

  2. Ata de Reunião Ordinária do Conselho de Escola de 02 de setembro de 2009

    Aos 2 de setembro de 2009 às 19h45, teve início a reunião ordinária do Conselho de Escola, com os seguintes pontos de pauta: 1. Informes; 2. Lançamento do Jornal do Amorim; 3. Discussão sobre painel de divulgação no átrio; 4. Prevenção H1N1?; 5. Festa da cultura. Foi acrescentado o ponto de pauta Uniforme. Informes. Não houve necessidade de apresentação de nenhum informe. Uniforme. Magali informou sobre o ocorrido com o filho que não pode assistir à aula por não ter uma peça de roupa do uniforme. Um funcionário da escola exigiu que a mãe voltasse para casa e trouxesse uma camiseta. A mãe sentiu-se lesada, perdeu o dia de trabalho. Argumenta que houve discriminação, pois havia maiores que estavam sem uniforme. Ana Elisa explicou que no turno da tarde havia muitos problemas. Foi combinado com os alunos que deveriam sempre estar com uma peça de roupa do uniforme e em caso de ter esquecido, a escola emprestaria uma camiseta ao aluno. Fátima coloca que a questão do uniforme já foi exaustivamente discutida no Conselho. Luis Braga esclarece que isso foi colocado no Conselho Pedagógico. Lembra que se isso é contra a lei, não podemos tomar uma atitude contrária. Ana Elisa Coloca que os alunos não ficarão fora da escola, apenas não poderão entrar na sala de aula, devendo ficar na biblioteca, por exemplo. Luis Braga não tem informação dessa regra, acha estranho ter regras distintas para os dois períodos. Edi coloca que o aluno não ficou fora da escola, não desrespeitando a lei.

    http://www.amorimlima.org.br/tiki-index.php?page=Ata+de+02+de+setembro+de+2009

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