Resposta ao professor Jonildo Eufrazio de Lima.

Resposta ao professor Jonildo Eufrazio de Lima.

Jonildo,

O nome “Cremilda” significa “Aquela que combate com capacete”. É de origem germânica. Talvez os pais da Cremilda já adivinhassem que ela teria de combater o mau corporativismo de centenas de milhares de maus professores que contaminam as escolas públicas brasileiras.
Tendo em vista os vários casos de professores que dão tapas nas cabeças das crianças, atiram-lhes gizes, apagador e outros objetos, até que não seria uma má idéia incluir um “capacete” no uniforme das nossas criancinhas que estudam nas escolas públicas.

Professor Jonildo: no seu breve comentário já identificamos uma prática comum entre os maus professores: o sarcasmo contra o nome dos alunos. Tem até site de professores que listam os nomes dos alunos para ridicularizá-los. Estes “nomes” são objetos de zombaria pelos próprios maus professores. Como será que estes maus professores tratariam um aluno chamado “Jonildo”? Algo a ver com os habitantes da região do Mar Jônico? Ou uma simples e legítima abrasileirada junção de nomes paternos?

Quanto à questão salarial, parece que muitos maus professores não conseguem entender como é possível uma pessoa dedicar várias horas para um serviço voluntário…
A Cremilda Teixeira é uma dona de casa que atua voluntariamente na defesa dos direitos dos alunos, dos pais e da comunidade. Ela foi convidada pelo Dr. Anis Kfouri para ser a Secretária Executiva da Subcomissão de Educação da OAB-SP. Esta função não é remunerada e nem exige o diploma de advogado.
Sua provocação de “troca de salário” não tem cabimento.
A realidade é que aumento de salário não modifica o mau professor.

Usar a falácia da “autoridade” não cola no Estado Republicano Democrático. Não precisa ser “mestre” nem “doutor” para criticar o péssimo sistema educacional e seus agentes públicos, inclusive professores pagos com dinheiro público.
Já imaginou se o seu conselho fosse adotado pelos autoritários governantes? Eles só discutiriam as questões salariais com outros governantes, dando uma banana para os professores.
No Estado Republicano Democrático de Direito o patrão é o cidadão. Os agentes públicos são servidores públicos. Os governantes não são reis e nem deuses. Eles não passam de gerente e pessoas comuns, pessoas eleitas que prestam o juramento de cumprir a Constituição da República Federativa do Brasil.

Mais uma vez o professor comprova o que está sendo denunciado pela Cremilda: a demonização do aluno. Vejam que ele “justifica” suas posições corporativas acusando os alunos: “40 alunos que veem à escola obrigados pelos pais por conta da bolsa família. Sem contar os pobrezinhos que são traficantes e veem a escola apenas para passar droga”.
Professores: aqui em SP é uma lorota esta historinha de “40 alunos em sala de aula”… Até o número de crianças do “bolsa família” é pequeno diante dos 5 milhões de alunos na rede estadual e 1,5 milhão na rede municipal. O mais comum é termos uma evasão de 20% dos alunos matriculados já no primeiro bimestre do ano… mas a escola continua recebendo as verbas como se o aluno estivesse freqüentando as aulas.

Não, professor. Não é fácil criticar a corporação de professores, não. Tem de ter coragem, pois os maus professores tem muito apoio e ameaçam com polícia e processos a todos que apontam suas falhas.
Devolvendo a questão para professor: Coloque-se na posição do aluno, que é enganado diariamente nas escolas públicas brasileiras; que é enganado por funcionários, professores, direções escolares e governantes.
As escolas só querem a participação das mães e dos pais para pagar taxas, varrer pátios ou limpar banheiros. Vejam que as reuniões de Conselho de Escola são marcadas em horários que inviabilizam a efetiva participação dos pais.

A questão do estresse e da depressão são graves. Por isso mesmo é inadmissível que os professores façam mobilização para pegar aulas em 2, 3 ou mais escolas.
Na Cidade de São Paulo, um sindicato municipal fez uma acordo em 1993 para reduzir a jornada de trabalho de 30 horas semanais para 25 horas. No governo Luiza Erundina (PT) eram 30h: 20h em ala de aula e 10h em outras atividades (preparar aulas, corrigir provas, reuniões pedagógicas, cursos etc). No governo seguinte, do Paulo Maluf (PP), o sindicato reduziu para 25h exclusivamente em sala de aula. Nas palavras de uma professorinha, isso era para pegar aulas na rede estadual, para manter um pezinho no Estado também…
O correto seria defender que o professor cumprisse a sua jornada em uma única escola, comprometendo-se, assim, pelo desempenho dessa mesma escola.
O aluno tem direito a uma educação integral em tempo integral, com professores comprometidos com o desempenho dos alunos e da escola.
A jornada especial e a aposentadoria diferenciada foram criadas para preservar a saúde do professor. E não para que ele acumulasse 2 ou 3 jornadas.
Temos vários casos de professores que reclamam do excesso de trabalho e ainda assim assumem aulas em outras escolas. Resultado: entram em licença médica e ficam 1, 2 anos ou mais recebendo sem trabalhar.

O discurso de vitimização do professor não cola mais. O professor é agente público. O professor faz parte do sistema. A degradação do magistério tem ligação direta com o um corporativismo que defende os maus professores.
Mais de 95% dos professores de SP tem curso superior. Não são coitadinhos. Ao cúmplices do falido sistema educacional paulista.
Como classificar um sindicato de professores que faz uma greve para garantir que até mesmo os professores-nota-zero sejam efetivados nas escolas públicas?
Ao invés de defender uma educação integral em tempo integral, o corporativismo dos maus professores ficam defendendo uma redução de jornada para poder pegar aulas e outras escolas. Os maus professores não aceitam trabalhar em uma única escola porque serão desmascarados: o mau desempenho desta escola demonstrará o mau desempenho do professor. A dupla ou tripla jornada são os álibis fajutos que os maus professores utilizam para nunca serem responsabilizados pelo péssimo desempenho dos alunos e das escolas.

Conclusão: a questão não é simplesmente apontar culpados. Mas sim identificar responsabilidades. O professor não é sano abnegado. Não é coitadinho. Professor é profissão e deve ser tratado como tal. Nem mais, nem menos. A formação do professor é muito importante. Os baixos salários atraem os piores profissionais. Vamos aumentar os salários iniciais? Mas também devemos apresentar soluções para os professores que já estão nas escolas. Vai haver avaliações periódicas? O que fazer com o mau professor? Vamos exigir a reciclagem desse profissional? Vamos demitir o professor que apresente baixo desempenho constante?
Tratar a todos os professores como se eles fossem iguais é o caminho do fracasso do sistema educacional brasileiro. Mas este é o único caminho apresentado pelo mau corporativismo dos maus professores, os quais só sobrevivem se não houver uma efetiva avaliação do desempenho prestado por cada um dos professores das escolas públicas.

São Paulo, 05 de junho de 2011.
Mauro Alves da Silva
Coordenador do Movimento Comunidade de Olho na Escola Púbica.
http://movimentocoep.ning.com/

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Uma resposta para “Resposta ao professor Jonildo Eufrazio de Lima.

  1. Jonildo Eufrazio de Lima, on maio 26, 2011 at 5:40 pm

    Cara Cremilda,
    O seu depoimento na assembleia legislativa paulista já começou errado pelo seu nome, Cremilda ao invés de Clemilda – quem é o analfabeto na história, o seu pai ou o escrivão da sua cidadezinha ?
    Agora entendi o seu menosprezo pela nossa categoria, deve vir já do problema com o seu nome, quando na escola o professor tentava corrigi-lo.
    Quanto ao problema salarial, façamos uma troca: eu passo um mês com o seu salário de advogada e a senhora, que acha que salário não é problema, pode ficar com o meu. Ao final do mês não aceito desfazer a troca.
    Espero que a senhora pelo menos seja mestra como eu, para que possamos discutir o problema da educação, pois as suas considerações ou são manipuladas ou a senhora é uma completa ignorante na questão da educação.
    Gostaria de saber de sua experiência em sala de aula. Se a senhora alguma vez já lecionou para 40 alunos que veem à escola obrigados pelos pais por conta da bolsa família. Sem contar os pobrezinhos que são traficantes e veem a escola apenas para passar droga, como o que tive que retirar de sala, pois estava totalmente drogado e armado.
    É muito fácil criticar, difícil é se colocar na posição do outro.
    A nossa categoria é das que apresentam o maior número de problemas de depressão, mas isso a senhora não deve saber, pois todo professor na sua opinião é endemoniador. Mas lhe garanto que sou um que acredita e que faz pela educação mais do que a senhora jamais pensou em fazer. Enquanto nós tentamos resolver o problema, a senhora faz esse discurso proclamando os pais a abrirem os olhos e fiscalizarem os professores, como se a culpa da falência da educação fosse do professor e não da política do faz-de-conta dos governantes, que como a senhora falam em favor da educação, mas que não fazem nada, apenas comodamente, colocam a culpa na ponta, em quem unicamente encara o problema de frente: o endemoniador professor.
    Acorda Cremilda
    Jonildo Eufrazio de Lima
    Professor e “endemoniador de alunos”

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