Quem tem medo do IDEB no portão da escola?


Sabe aqueles maus professores que sempre criticaram o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, lei federal 8069/1990)? Aqueles professores que falam que o ECA acabou com a autoridade do professor? Que o ECA não permite mais dar uns cascudos nos alunos, nem suspender, nem expulsar?
Pois bem: muitos maus professores estão usando indevidamente o ECA para impedir que a nota da escola [no IDEB] seja afixada no portão de cada escola!
Ao invés de proteger o aluno contra as escolas que os enganam, os maus professores querem evitar que a comunidade do entorno das escolas e a sociedade identifiquem as escolas cujos professores apresentem baixo desempenho.

A grita dos maus professores é contra as propostas de afixiarem a nota da escola no portão da escola. Não querem que a comunidade conheça a nota da escola no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Sem a divulgação da nota da escola, fica mais fácil os maus professores continuarem chamando seus alunos de burros e seus pais de omissos ou desocupados…

Os sindicatos de professores e a imprensa que detesta alunos de escola pública foram buscar “especialistas”, que apresentam os argumentos fajutos de que a divulgação da notas ‘constrangeriam” os alunos…
Isso é pura balela. Os alunos já têm os seus direitos desrespeitados diariamente quando uma escola oferece um ensino de péssima qualidade. A nota do IDEB só veio demonstrar esse péssimo ensino que já era de conhecimento dos professores e dirigentes educacionais.
Pior que isso só mesmo o fato dos maus professores culparem a todos (alunos, pais e governos) pela péssima educação oferecida nas escolas públicas, ignorando completamente qualquer responsabilidade dos professores em relação à aprendizagem dos alunos.
Quem deve ficar constrangido são os professores, a direção escolar e os dirigentes de ensino, inclusive prefeitos, governadores e até mesmo a presidente do Brasil, principalmente por acobertarem maus professores que chegam até mesmo a enganar em 2, 3 ou mais escolas ao mesmo tempo.
O Brasil deveria ter vergonha de ser um país que oferece uma “escola motel” (escola de turnos, de meio período), com mais de 20% de aulas vagas; uma escola que não consegue ensinar um aluno a ler e escrever mesmo gastando dinheiro público por 8 ou 9 longos anos.

Os maus professores não cansam de xingar os alunos de burros e seus pais de bêbados ou desocupados. Os maus professores utilizam as notas individuais dos alunos para culpar estes alunos e seu pais pelo baixo desempenho escolar…
Mas, com a divulgação da nota da escola no IDEB, os maus professores ficaram tiriricas com a possibilidade dos alunos, das mães, dos pais e da comunidade conhecerem a nota média da escola, pois ficará evidente que a culpa não é “o aluno”, mas sim de um sistema em que impera o mau corporativismo, onde o professor nunca é avaliado e recebe o salário trabalhando ou não. Para o mau corporativismo, não importa se o professor e dedicado ou se é relapso: o salário é o mesmo e nunca haverá demissão por baixo desempenho.

Destaque-se que o sindicato de professoras de SP fez uma greve em 2010 contra avaliação anual do conhecimento do professores; e exigiu que até mesmo os professores “nota zero” continuassem vendendo péssimas aulas na rede pública estadual.

O Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública (COEP) sempre defendeu que fossem divulgadas as notas média das escolas, de tal maneira que toda a sociedade pudesse, sim, identificar os professores, os dirigentes e os governantes responsáveis pela respectiva escola e pelo seu bom/mau desempenho. O COEP fez questão de elogiar a atitude do governo Lula que, em 2005, tomou a iniciativa de divulgar as notas das escolas no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Esse novo paradigma está revolucionando a educação no Brasil, inclusive mudando os vestibulares que priorizavam a decoreba e ignoravam completamente a inteligência e o conhecimento dos alunos. Foi preciso um torneiro mecânico sem curso superior e sem rabo preso com os maus professores para perceber que a melhoria da educação só seria possível com a efetiva e qualificada participação dos alunos, das mães, dos pais e da comunidade; participação esta que só seria qualificada se eles tivessem as informações que eram trancadas a 7 chaves pelo mau corporativismo que reina na educação pública brasileira.

Na Cidade de São Paulo, por exemplo, o prefeito Gilberto Kassab, através do secretário de educação Alexandre Schneider, fez um pacto da mediocridade com o sindicato das professorinhas e não divulga as nota das escolas na Prova São Paulo… tudo isso para não “constranger” as professorinhas e poder continuar enganando os alunos e os pais com pesquisas fajutas que os induzem a dar nota 8 para as escolas e para as professorinhas, mesmo tendo o IDEB indicado notas próximas de 4,0 para ass escolas municipais.

São bem-vindas todas as ações no sentido de tornar transparente o sistema educacional do Brasil, inclusive apresentando as estatísticas de cada escola (número de alunos, números de professores, absenteísmo/faltass, taxa de aprovação, infra-estrutura, verbas destinada à escola etc). Os dados completos sobre violência escolar são fundamentais, desde que indiquem também as violências praticadas por funcionários, professores e direção escolar.

P.S.: Foi muito engraçado (e até constrangedor) ver um famoso blog (que expulsa mães e pais de alunos), com mais de mil professores anônimos, criticando a divulgação das notas do IDEB sob o argumento de que violaria o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA… os mesmos professores que criticam o ECA – e pedem rebaixamento da idade penal, agora querem que esta lei livre as professorinhas e os professorzinhos do legítimo constrangimento de serem desmascarados por enganarem alunos, mães, pais e comunidade por longos anos até uma tranqüila aposentadoria desmerecida.

São Paulo, 23 de agosto de 2011.
Mauro Alves da Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
http://movimentocoep.ning.com/

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Uma resposta para “Quem tem medo do IDEB no portão da escola?

  1. geraldo de carvalho

    concordo com td e apesar da dificuldade em participar do blog q vc cita,acho q vc deveria tentar participar de algum modo msm q fosse com um nick alternativo. seu pt de vista farz mt bem à disussão q lá acontece e ajudaria a repercutir esses assuntos de modo mais qualificado. usarei esse teu texto daqui p conversar com minhas alunas da pedagogia. vc tem q discutir td, inclusive assuntos “menores”, mas nessa hora é q faz mta diferença. abs!

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