Escolinha Carlos Cattony e a estupidez do jornal Diário de São Paulo.

Escolinha linha-dura é nota 2,57 no IDESP 2010.


Lendo o blog da Cremida (http://cremildadentrodaescola.wordpress.com/), deparamo-nos com uma grande estupidez da imprensa preguiçosa ou tendenciosa. A reportagem “Escola linha dura é líder no Enem” (Jornal Diário de São Paulo, 12-09-2011) seria até cômica, se não fosse trágica.
Nestes 14 anos do Movimento COEP, nunca encontramos uma única escola pública que fosse “democrática”. Portanto, “escola linha dura” é um pleonasmo vicioso.
O Movimento COEP também nunca encontrou uma “escola líder’ na periferia da Cidade de São Paulo, pois periferia sempre foi abandonada pelos gestores públicos e serve como “castigo” para os professores, nos dizeres deles próprios…
No caso da reportagem sobre a escola estadual Carlos Cattony, o Jornal Diário de São Paulo deveria ter feito a sua lição de casa… ao menos deveria ter lido a nota explicativa do MEC/INEPto, na qual está explícito que as escolas foram divididas por percentual de participação dos alunos.
Nenhum educador chamaria de “líder” a uma escola que tenha menos de 75% de participação dos alunos no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).
A escolinha Carlos Cattony tinha 39 alunos matriculados na 3ª série do ensino médio em 2010, mas apenas 14 (quatorze) alunos fizeram o ENEM 2010. Taxa de participação igual a 35%.

Se o jornalista Fernando Granato e o jornal Diário de São Paulo ueiserem restabelecer a verdade sobre a escolinha Carlos Cattony, basta informar que apenas 35% dos seus alunos fizeram o ENEM 2010, apenas 14 dos 39 alunos matriculados na 3ª serie do ensino médio…
O jornal Diário de São Paulo também poderia publicar o resultado da escolinha “linha dura” no IDESP 2010 (Índice de Desenvolvimento da Educação de SP), onde obteve nota 2,57 na 3ª série do ensino médio; e a surpreendente queda da nota do 9º ano do ensino fundamenta (de 2,90 para 2,70)!

Mas, se o caso era fazer apologia às viúvas da ditadura militar, a imprensa imbecil e preguiçosa deveria escolher outra entre as milhares de escolas autoritárias que vivem violando os direitos das nossas crianças, desde as ilegais cobranças de taxas e uniformes, chegando até mesmo a xingamentos, agressões, suspensões e expulsões. Tem muitas outrass escolinhas “linha dura” que enganam com mais competência…

São Paulo, 13 de setembro de 2011.
Mauro Alves da Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública.
http://MovimentoCOEP.nng.com

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2 Respostas para “Escolinha Carlos Cattony e a estupidez do jornal Diário de São Paulo.

  1. Curioso o que alguns movimentos fazem para aparecer no holofote dos outros, né? Tendencioso sim,é o texto acima. Compartilho do descontentamento como ensino público (e o provado também) mas em vez de pegar carona em escândalos, fracassos ou vitória dos outros pra minha autopromoção, eu procuro atuar voluntariamente em ações educativas e inclusivas, nessa e em diversas escolas da região. Jamais vi esse movimento em qualquer uma delas, promovendo alguma ação concreta. Movimento que luta apenas por sua auto promoção.
    A linha dura não existe. O uniforme foi decidido em assembléia, democraticamente, com o respaldo dos representantes dos alunos, dos pais e dos professores. Não foi vendido sequer uma camiseta. Pelo contrário. A impressão era feita gratuitamente por uma professora. O logotipo da escola foi criado pelos próprios alunos sendo eleito o melhor por eles. Parem de pegar carona nas asas dos outros e transforme esse movimento de vocês menos incipiente e inútil.

    • O Sr. Silvano Silva demonstra uma profunda ignorância sobre as competências das APMs (Associações de Pais e Mestres). O Decreto Nº 12.983, de 15 de dezembro de 1978
      é específico: Artigo 2º – A APM, instituição auxiliar da escola, terá por finalidade colaborar no aprimoramento do processo educacional, na assistência ao escolar e na integração família-escola-comunidade. Além de ser uma instituição arcaica, criada na ditadura militar para impedir a autonomia das escolas (via conselho de escola, por exemplo), a APM não tem nem nunca teve “competência’ para instituir o uso obrigatório do uniforme. Vale destacar que o o governador Franco Montoro até promulgou uma lei específica para impedir os abuso praticados pelas APMs, a lei estadual 3.913/1983:
      O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO
      Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:
      Artigo 1º – Aos estabelecimentos oficiais de ensino do Estado fica proibido:
      I – cobrar taxa de matrícula;
      II – exigir contribuição pecuniária para a Merenda Escolar;
      III – locar dependências do prédio, no todo ou em parte;
      IV – cobrar material destinado a provas e exames; 1ª via de documentos, para fins de transferência, de certificados ou diplomas de conclusão de cursos e de outros documentos relativos à vida escolar;
      V – instituir o uso obrigatório de uniforme;
      VI – vetado
      VII – exigir qualquer outra forma de contribuição em dinheiro.
      Artigo 2º – Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.
      Palácio dos Bandeirantes, 14 de novembro de 1983.
      ANDR FRANCO MONTORO

      7. Outra questão: a APM é uma associação auxiliar da escola, com personalidade jurídica própria. Ela é constituída por pessoas que se associam voluntariamente. Alunos menores de 18 anos não podem se associar. Na APM não existe representação “por segmentos”. Na APM não existem representantes dos alunos.

      8. A reportagem diz que “Uniforme – não é permitido entra sem a camiseta da escola”. Perguntamos: o que acontece se um aluno tentar assistir aulas sem a camiseta da escola? Ele vai ser impedido de entrar? Ele já ser suspenso? Ele vai ter de vestir uma camiseta de uso comum? Vale destacar o que está expresso no site da Secretaria Estadual de Educação de SP (SEE-SP):
      “O uso do uniforme não poderá ser obrigatório podendo ocorrer somente após sua aprovação pelo Conselho de Escola, que definirá também as alternativas viáveis para os alunos que não possam adquiri-lo ou não esteja usando desde que não impeça a participação do aluno nas atividades escolares e nem o exponha à situação vaxatória” (grifo nosso). A SEE-SP cita expressamente a lei estadual 3.913/1003.
      http://movimentocoep.ning.com/

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