A ignorância da ombudsman da Folha sobre os rankings do ENEM.

Não aprenderam nada e não esqueceram nada.

No artigo “Buraco da Educação” (Folha de São Paulo, 18-09-011), a ombudsman Suzana Singer demonstrou profunda ignorância sobre as reais críticas dirigida aos seus patrões.

Não se trata de criticar os diversos possíveis rankings que podem ser feitos a partir das notas das escolas no ENEM (Exame nacional do Ensino Médio).

A crítica feita ao jornal Folha de São Paulo diz respeito aos erros ou manipulações dos resultados para produzir rankings fajutos que são um completo desserviço aos leitores, aos alunos, às mães, aos pais e à comunidade em geral.

Uma imprensa séria, comprometida com os leitores, deveria apresentar informações claras, objetivas e precisas, informações que servissem para orientar os pais na escolha de uma escola, por exemplo.

Em 13-09-2011, o jornal Folha de São Paulo publicou o seguinte:

– “Melhor pública do Enem em SP não tem água encanada”.

– “USP deveria morrer de vergonha” (Folha.com, 12-09-2011)

Será que a Folha realmente considera a Escola Estadual Professor Carlos Catony é a melhor escola pública da cidade de São Paulo?

Será que o jornalista Gilberto Dimenstein, do Conselho Editorial da Folha, realmente considera EE Carlos Cattony melhor que aplicação da USP?

Caso tivessem de optar, em qual das duas escolas os jornalistas da Folha matriculariam seus filhos?

Os jornalistas da Folha acham que o “modelo” da EE Carlos Cattony deve ser aplicado nas demais escolas públicas da Cidade de São Paulo?

A crítica contra a Folha foi por apresenta uma conclusão falsa a partir dos dados do ENEM 2010. O problema não é construir um ranking. O problema é construir um ranking fajuto.

Se os dados do ENEM não são suficientes para criar um ranking de “melhores e piores”, a Folha deveria agregar outro dados. Por exemplo: nota no IDESP (escola públicas de SP), tempo de aula, pré-requisitos para matrículas, e valor das mensalidades (caso das particulares).

Não adianta dizer que a “escola tal” é a “melhor escola” se esta escola “escolhe os alunos”. Esta informação não serve à política educacional nem aos pais, pois eles querem um modelo de escola que sirva para educar seus filhos, e não para excluí-los.

Divulgar ranking fajuto só interessa para fazer apologia das escolas autoritárias ou fazer propaganda das escolas particulares que enganam pais e alunos através de um marketing fajuto… (em 2010 teve escola privada fazendo anúncio de página inteira sobre o seu “bom desempenho” no ENEM).

Maus antecedentes da Folha de São Paulo..

Essa história de escolher e divulgar uma escola autoritária nós já vimos em 2009, quando a Folha elegeu a EE Lucia de Castro Bueno, de Taboão da Serra-SP, como a melhor escola pública de SP. O título da reportagem enganosa não deixou dúvidas: “Diretor da melhor escola estadual de SP diz que vai “contra modismos” de secretários” (Folha Online, 04-05-2011). Veja nossa crítica aqui: “A covardia da Folha e a sua defesa da ditadura escolar”. (Movimento COEP, 05-05-2011).

O Buraco da Educação é mais em cima.

Nossa expectativa era de que a ombudsman da Folha exigisse uma explicação dos seus chefes, da redação da Folha, sobre a estupidez de se dizer que a EE Carlos Cattony é a melhor escola pública de S. Paulo… Exigir que o jornalista Gilberto Dimenstein assumisse o seu erro… nem precisaria “morrer de vergonha”… um simples retratação seria o suficiente… e a folha poderia publicar as notas do IDESP 2009 e 2010 (foto acima) das duas escolas para que os leitores pudessem fazer uma comparação sobre o desempenho de cada uma… )Note-se que o desempenho da Escola de Aplicação da USP não é grande coisa).

Mas, parece que a jornalista-ombudsman da Folha não entendeu “metade da missa”… o buraco da educação é mais em cima… a imprensa não informa que escola de meio período é enganação… a propaganda enganosa das escolinha miseráveis e autoritárias é para conformar os alunos e seus pais… até mesmo a grande maioria das escolas particulares brasileiras não passam de caça-níqueis, não oferecendo educação integral em tempo interal… e ainda exigem que os alunos “mais fracos” contraem professores particulares ou mudem de escola…

Os jornalistas e seus patrões estão mais interessados em divulgar projetos pontuais de ONGs de “aprendizes” (com verba pública) do que exigir uma verdadeira política educacional, com educação integral, em tempo integral e com professores com dedicação integral a uma única escola…

O Movimento COEP sempre pergunta aos jornalistas e seus patrões se eles têm filhos na escola pública… é uma pergunta retórica… escola pública é uma escola pobre para os alunos das famílias pobres… e nenhum jornalista nem seus patrões querem ver o filho do pobre disputando as melhores vagas nas universidades nem nos melhores empregos…

A ombudsman e a Folha de São Paulo cumpriram direitinho seus papeis contra a escola pública: ela fingiu que ouviu as reclamações dos leitores, e a Folha fingiu que se importa com a educação… e continuam repetindo a farsa educacional em 2009, 2010, 2011, 2012…

São Paulo, 16 de setembro de 2011.

Mauro Alves da Silva

Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública.

http://MovimentoCOEP.nng.com

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