Escola municipal Amorim Lima é Escola “prá português ver”…

Mis uma vez a Rede Globo perdeu uma boa oportunidade de apresentar o que realmente faz a diferença entre as escolas públicas brasileiras e a Escola da Ponte (Portugal): o comprometimento total dos professores com o ensino e a aprendizagem dos alunos.
Dessa vez foi o jornal carioca O Globo que achou um jeitinho de esconder a falta de comprometimento dos professores e culpabilizar os pais pelas indisciplinas dos alunos e a falta de solidariedade entre os próprios alunos. (“Todos juntos e misturados na escola”, jornal O Globo, 16-01-2012).

Por que a Rede Globo não faz uma avaliação completa sobre as principais diferenças existentes na Escola da Ponte (Portugal):
1) Escola pública de tempo integral com menos de 200 alunos matriculados;
2) Autonomia da escola, inclusive para contratar e demitir professores;
3) a escola assume compromisso de metas e desempenho através de um contrato com o governo;
4) Os professores trabalham em regime de dedicação exclusiva na escola; os professores não são caixeiros viajantes que ficam pulando de escola em escola;
5) A escola não faz “vestibulinho” (pré-seleção) de alunos; não suspende nem expulsa alunos;
6) Não tem uniforme escolar (consideram um desperdício de dinheiro);
7) a escola tem efetiva participação das mães e dos pais na gestão escolar;
8) Os professores fazem reunião semanal de avaliação;
9) Existe assembléia semanal dos alunos, onde pais e professores têm direito a voz, mas não a voto;
10) A unidade escolar está integrada à comunidade do entorno da escola.

Já imaginaram a grita dos sindicatos de professores contra um sistema que cobra comprometimento total dos professores ara com o desempenho dos alunos? E ainda que demitem os maus professores? E que exigem reunião semanal de avaliação? E ainda exigem que os professores avaliem individualmente os alunos?
O próprio professor José Pacheco já escreveu: “Como diria Lorraine Moureau, um terço dos professores é muito bom, um terço pode ficar bom, um terço deve mudar de profissão. Chamemos aos primeiros aquilo que são: professores. Designemos os segundos por quase-professores. Os outros serão… “os outros”. (artigo “Os ‘outros’”, José Pacheco, Revista Educação de 31-01-2007).
Detalhe curioso: mesmo este modelo de ensino ser considerado “maravilhoso” e existir há mais de 36 anos, a Escola da Ponte continua sendo única entre as milhares de escolas portuguesas… alguém deveria entrevistar os professores-sindicalistas portugueses e saber o porquê das escolinhas portuguesas não adotarem o modelo da Escola da Ponte…


No caso das escolinhas brasileiras citadas, vale destacar que a Escola Municipal Amorim Lima (bairro do Butantã, região nobre da capital SP), tem 655 alunos, 50 professores (13 alunos por professor), não é de tempo integral; os professores não têm dedicação exclusiva; existe pré-seleção “velada” de alunos; existe cobrança de taxas, ainda que o pagamento não seja obrigatório; não se tem notícia de grêmio estudantil, nem assembléias semanais dos alunos, nem notícias de reuniões de conselho de escola abertas aos pais e à comunidade… além disso, temos o caso de aluna impedida de assistir aulas “por falta de uniforme” e o caso de jornalista que conseguiu matricular seus filhos com a intervenção direta do secretário municipal de educação… até disfarçaram a “carteirada” e reabriram duas salas para atender mais 50 alunos…

Por último, ficamos sabendo que o professor José Pacheco “pretende criar em Cotia, em São Paulo, um centro de referência para formação de professores e vai voltar à sala de aula à frente de uma escola gratuita que começará a funcionar na cidade no próximo período letivo. Além disso, ele e sua equipe acompanham regularmente cerca de cem colégios brasileiros que de alguma maneira pensam em mudanças”.
Sendo assim, desafiamos o professor José Pacheco e a Rede Globo para que aproveitem e acompanhem uma escolinha específica na cidade de Cotia-SP, a Escola Municipal do Jardim Sabiá. Esta escolinha costuma cobrar ingressos dos alunos quando passam filmes dentro da própria escola… quem não paga fica de “castigo”, fazendo lição na sala da diretora… também tem o caso das excursões: quem não paga tem que ficar em casa… esta escolinha também tem a prática nefasta de emendar os feriados e tem aulas vagas aos montes. (“Escola pública de Cotia cobra R$ 4 de cada aluno. Quem não paga, não entra”, Movimento COEP, 30-08-2011).

Não dá para ficar 36 anos falando que uma escola é linda e maravilhosa sem divulgar suas diferenças em relação a quase totalidade das outras escolinhas dominada pelo mau corporativismo que degrada a escola pública:
“Nos debates públicos, predomina a tendência “politicamente correcta” de ocultar a existência do que Lorraine Moureau designou pelo terço de professores que deve mudar de profissão. Pero que los hay, los hay… E serão, talvez, os maiores responsáveis pela degradação do estatuto da nobre profissão de professor e pela obsolescência da Escola”. (artigo “Os ‘outros’”, José Pacheco, Revista Educação de 31-01-2007).

São Paulo, 16 de janeiro de 2012.
Muro Alves da Silva
Coordenador do Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública.
http://movimentocoep.ning.com/

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