Prefeito Fernando Haddad fazendo discurso para jornalismo chapa-branca.

jornalismochapabranca

Não temos  o menor interesse em tecer críticas sobre o “jornal” colaborativo GGN, pois já constatamos que o dono apoia o corporativismo dos profissionais da educação e expulsa quem denuncia este mesmo corporativismo.

Mas não podemos deixar passar em branco a “entrevista”  do prefeito Fernando Haddad :

“São Paulo tem condições de se tornar uma Xangai”, defende Haddad (sab, 18/01/2014 – 09:04 – Atualizado em 19/01/2014 – 00:07 – http://jornalggn.com.br/noticia/sao-paulo-tem-condicoes-de-se-tornar-uma-xangai-defende-haddad).

Sem que houvesse nenhuma contestação, o texto simplesmente reproduz a seguinte falácia (enganação) por parte do prefeito paulistano: “Haddad apontou como exemplos de políticas sociais aplicadas no seu primeiro ano de gestão o fim da progressão automática (sic) nas escolas municipais e a criação da “fila social” para as creches”.

Entrevista versus pronunciamento oficial.

Qualquer estudante de jornalismo sabe a diferença entre uma “entrevista” e o mero registro de um “pronunciamento oficial”… Todo e qualquer manual de jornalismo registra que “Antes da entrevista o repórter costuma reunir o máximo de informações disponíveis sobre o assunto a ser abordado e sobre a pessoa que será entrevistada. Munido deste material, ele formula perguntas que levem o entrevistado a fornecer informações novas e relevantes. O repórter também deve ser perspicaz para perceber se o entrevistado mente ou manipula dados nas suas respostas, facto que costuma acontecer principalmente com as fontes oficiais do tema”.

Progressão Continuada não é “aprovação automática”.

No caso específico do fim da “aprovação automática”, o repórter deveria fazer o registro que esta expressão foi criada por maus profissionais das escolas públicas, os quais não aceitam aplicar a “Progressão Continuada” (Indicação CEE nº 22/97 do Conselho Estadual de Educação de SP – vide vídeo aqui), pois esta exige um acompanhamento individualizado do aluno e recuperação paralela ao longo do ano letivo. A Progressão Continuada permite a retenção do aluno que não atinja as mínimas condições de prosseguir os estudos no nível escolar seguinte. Mas o professor tem de fazer o relatório detalhando todo o processo pedagógico desenvolvido com o aluno, identificando claramente as deficiências deste aluno. Sendo assim, os maus professores, para evitar a “burocracia”, “passam logo o infeliz”… (vide depoimento de uma professora no documentário “Pro dia Nascer Feliz”, 2016). veja vídeo aqui.

No caso da prefeitura da Cidade de São Paulo, o repórter poderia ouvir quem implantou a Progressão Continuada: a ex-prefeita Luiza Erundina e seu secretário de educação: professor-doutor Mário Sérgio Cortela (vídeo aqui)… ou ainda poderia ver como está sendo desenvolvidas as experiências exitosas das escolas municipais em Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

O que o prefeito Fernando Haddad fez foi tentar agradar a parte mais retrógrada do professorado e reintroduzir a reprovação escolar como medida disciplinar. Isso, aliado a outra medida demagógica ( “lição de casa”) visa jogar nas costas dos alunos e de seus familiares o fracasso de maus professores da escola pública. “Pra gente falar o português claro: quando a gente tem estudos teóricos sobre isso, os reprovados sempre são os pobres e os pretos”. Professor doutor Jesse Pereira Felipe, da Diretoria Regional de Educação de Pirituba, São Paulo/SP.. Veja vídeo aqui.

Repórter de verdade.

Um repórter de verdade não precisa acreditar em uma única linha do que foi escrito até agora. Para formar uma opinião melhor fundamenta, ele poderá consultar a professora doutora Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) ou a petista Sonia Kruppa (ex-secretária de educação em Santo André-SP). Alguns vídeos sobre o programa “Mais Reprovação, digo Educação” podem ser assistidos aqui (Lisete Arelaro) e aqui (Sonia Kruppa).

Eu sei o que você fez no verão de 2001.

O prefeito Fernando Haddad não é um noviço na administração da prefeitura paulistana. Ele já foi “Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico” na gestão da ex-prefeita petista Marta Suplicy, quando ela propôs (e consegui) mudar a Lei Orgânica do Município, reduzindo as verbas do ensino de 30% para 25% da arrecadação; e, logo em seguida, aprovou uma lei municipal (lei municipal 13.245/2001) que incluía ilegalmente os aposentados nas verbas do ensino. Vale destacar que esta lei foi assinada pelo prefeito em exercício Helio Bicudo de pelos seguintes secretários: ANNA EMILIA CORDELLI ALVES, Secretária dos Negócios Jurídicos; FERNANDO HADDAD, Respondendo pelo Cargo de Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico; FERNANDO JOSÉ DE ALMEIDA, Secretário Municipal de Educação; Publicada na Secretaria do Governo Municipal, em 26 de dezembro de 2001. RUI GOETHE DA COSTA FALCÃO, Secretário do Governo Municipal.

Seria interessante um repórter de verdade perguntar ao Ministério da Educação se é legal ou ilegal pagar aposentados com as verbas do ensino, ainda mias que as verbas fazem parte do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Básico e Valorização do Magistério). Em 2001 era Fundef (Fundo do Ensino Fundamental).

Desvios de verbas e a falta de creches.

No caso da falta de creches, vale destacar que a ex-prefeita petista Marta Suplicy usou as verbas da educação para construir os CEUs (Centros “Eleitoreiros” Unificados), equipamentos grandiosos (caros na construção e na manutenção) usados para cultura e centros de convivência. Este desvio de recursos impediu que se construissem as escolas de educação infantil necessárias para a universalização e atendimentos desta demanda reprimida que sempre esteve na ordem de 150 mil crianças por ano.

A ignorância paulistana é uma construção de décadas.

O prefeito Fernando Haddad disse que acabou com a “aprovação automática”  por conta do baixo desempenho das escolas paulistanas no IDEB (Índice de Desenvolvimento doa Educação Básica). Também disse que dentre as 39 cidades da Região Metropolitana da Grande São Paulo, a Capital teria ficado em 34º lugar.

O prefeito Haddad só se esqueceu de dizer que ele foi parte de um governo petista que reduziu as verbas da educação em 50%, sendo que isso só piorou nas gestões seguintes.

Também faltou dizer que na sua “primeira gestão” não houve uma real tentativa de auditar a ilegal dívida pública paulistana, com a consequente anulação da parte referente ao “escândalo dos precatórios” (85% da dívida total) e derrubada dos juros abusivos cobrados sobre esta mesma dívida pública. Pelo contrário: nesta gestão petista, colocaram uma banqueiro (João Sayad) para Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico (!), mas cuja função primordial, além de maquiar os balanços com uma “contabilidade criativa” (e sobrar mais dinheiro para os bancos), era garantir que a prefeitura pagasse os juros abusivos da dívida pública durante os primeiros 30 meses definidos no contrato com a União, contrato este assinado pelo ex-prefeito Celso Pitta em maio de 2000 (vésperas do seu afastamento em função da instalação de uma comissão de impeachment para cassar o seu mandato).

Cadê os documentos, áudios e vídeos da CONAE 2010?

O prefeito Haddad poderia explicar a eficiência da sua gestão no MEC, na qual se impediu a livre participação das mães e pais de alunos na Conferência Nacional de Educação 2010… Com mais de 2500 participantes, apenas 89 eram mães ou pais de alunos (vídeo aqui: Conferência Nacional de Enganação). Além disso, até hoje não divulgaram as gravações e vídeos da CONAE 2010, ignorando até mesmo o que determina a Lei de Acesso à Informação (lei federal 12527/201).

Conae 2014 repete boicote feito à participação das mães e pais em 2010.

No ano de 2013, a secretaria municipal de educação da Cidade de São Paulo criou o Fórum Chapa-Branca de Educação, ignorando a existência do Fórum Municipal de Educação que existe desde 1993 (http://fmesp.wordpress.com/).

Através de portaria da próprio titular da Secretaria Municipal de Educação, o secretário se auto nomeou coordenador do Fórum Chapa-Branca, criado em um evento quase secreto (seus membros fundadores foram “convocados” via e-mail; sendo que metade é de agentes públicos ou sindicalistas).

Há suspeitas de que este Fórum Chapa-Branca foi criado às pressas para receber verba oficial do governo federal; verba essa que não queriam deixar nas mãos da comunidade… vai que a comunidade organiza conferências regionais democráticas… Aliás, a utilização destas verbas públicas já está sendo objeto de uma investigação para posterior representação judicial.

Um repórter “de verdade” poderia fazer uma simples e singela pergunta ao prefeito Haddad e ao seu secretario de educação: onde foi publicado o regimento interno do Fórum Chapa-Branca para demonstrar, de forma cabal, que ele atua dentro da legalidade, inclusive na gestão de verbas públicas?

Por último, mas não menos importante, informamos que a administração Fernando Haddad vem sistematicamente recusando-se a publicar os contratos feitos entre a prefeitura e as associações (lei municipal 14.469/2007), especificamente sobre os convênio com a educação especial. Será que tem alguma irregularidade ou é mera incompetência burocrática?

P.S. 1: “Mais Reprovação” atinge pobres e pretos. Proposta “Mais Educação” – São Paulo/SP, CEU Butantã, 26/09/2013. vídeo aqui.

P.S. 2: Os outros pontos da “entrevista-exaltação” chapa-branca serão abordados em um segundo artigo..

São Paulo, 19 de janeiro de 2014.

Mauro Alves da Silva

Coordenador do Movimento COEP = Comunidade de Olho na Escola Pública –

https://movimentocoep.wordpress.com/

Presidente do Grêmio SER Sudeste – Promoção da Cidadania e Defesa do Consumidor.

http://gremiosudeste.wordpress.com/

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