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Tribunais Secretos nas escolas públicas.


Tribunais Secretos.

A Secretaria Municipal de Educação da São Paulo está escondendo o nome dos conselheiros dos conselhos das escolas públicas municipais. As contas das escolas e até mesmo as punições contra alunos serão decididas por “juízes secretos”.

http://www.blogdomaurosilva.wordpress.com

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Carta Aberta para o novo Secretário de Educação do Município de São Paulo, Gabriel Chalita.

Todo dia 19 de cada mês o http://www.MovientoCOEP.org – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública – relembra a infâmia praticada pela Secretaria Estadual de Educação de SP no caso da Escola Estadual EE Octacílio de Carvalho Lopes: em 19/04/2004, uma professor xingou um aluno de bicha em plena sala de aula; e também teria agredido fisicamente este aluno… Mesmo com uma denuncia na polícia e um laudo médico atestando as agressões, a Secretaria Estadual de Educação de SP afirmou, em documento oficial, que era normal professor usar termos chulos para com seus alunos; e que isso seria para cativá-los… (leia aqui).

 

Mas não estamos escrevendo esta Carta Aberta para relembrar a omissão da Ouvidoria da Educação de SP, um órgão corporativista que não respeita as denúncias feitas por alunos, mães, pais ou comunidade contra os abusos praticados por funcionários, professores e direção escolar…

 

Esta Carta Aberta é para cobrar do novo Secretário de Educação do Município de São Paulo se leva vai atuar de forma diferente do que ele atuava na Secretaria Estadual de Educação de SP. Será que ele vai garantir os seguintes direitos dos alunos, mães, pais e comunidade escolar descrito abaixo?

 

  • 1) Garantia de que todas as escolas públicas tenham Grêmios Estudantis autônomos, eleitos em eleições livres e sem nenhuma interferência da direção escolar;
  • 2) Garantia de Eleição Democrática dos Conselhos de Escola, respeitando-se cada um dos 4 (quatro) segmentos escolares (alunos; mães e pais; professores; e funcionários); e punindo as práticas de “eleição a bico de pena” (quando é a direção escolar que ilegalmente “escolhe” os membros do conselho escolar no primeiro dia de aula);
  • 3) Garantia de divulgação de todos os dados sobre violência escolar, inclusive as denúncias contra professores, funcionários e direção escolar (nos termos do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos e da lei municipal 14957/2009 – prevenção e combate ao bullying escolar)
  • 4) Garantia de Promoção continuada, com recuperação paralela ao longo do ano;
  • 5) Garantia de que os famigerados “boletins escolares” divulguem também a nota média da classe (nota do professor) e a nota média todas as turmas (nota da escola);
  • 6) Garantia de que todas reclamações ou denuncias feitas por alunos, mães, pais ou comunidade sejam devidamente apuradas, e que os processo administrativos contra professores, funcionários e direção escolar não demorem mais do que 6 (seis) meses, evitando-se que “caduquem” (prazo limite é de 5 anos para punir administrativamente);
  • 7) Garantia de que os professores cumpram suas jornadas obrigatórias “2/3 em sala de aula” na sala de aula, evitando-se passeios turísticos e licenças para atividades sindicais;
  • 8) Garantia de transparência na gestão das unidades educacionais, inclusive divulgando as notas das escolas nos diversos exames municipais, estaduais e nacionais;
  • 9) Garantia de ampla e democrática participação da comunidade nas atividades comunitárias nas escolas, abrindo estas unidades educacionais para a participação em atividades preferencialmente nos finais de semana e segundo o interesse desta mesma comunidade.
  • 10) Garantia de respeito e valorização do verdadeiro Fórum Municipal de Educação da Cidade de São Paulo (https://fmesp.wordpress.com/), o qual foi criado em 1993 por alunos, mães, pais , entidades e até profissionais da educação. O “Fórum Chapa Branca”, criado pelo seu antecessor mediante portaria (sic), foi usado exclusivamente para boicotar a participação dos alunos, pais e comunidade nas conferências regionais e municipal (com vista à CONAE 2014, a qual foi cancelada na véspera)… este Fórum Chapa Branca também serviu ao ego de um funcionário que o utilizou partidariamente, chegando ao cúmulo de pedir aos membros que boicotassem as audiência públicas do Plano Municipal de Educação pelo simples motivo de que o relator era o vereador Mário Covas Neto, do PSDB, da oposição!

 

Já que está na moda citar Paulo Freire, não custa lembrar: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.

 

Não temos de esperar os 2 (dois) anos que falta para o fim do mandato do prefeito para avaliar sua gestão na Educação: basta verificar como é que será feita a eleição dos Conselhos de Escola (já no primeiro mês de aula) para sabermos se o novo Secretário de Educação do Município de São Paulo veio para promover uma Educação Libertadora ou um mero catecismo, onde a professorinha é sempre santa e o aluno é sempre o capeta.

 

São Paul, 19 de abril de 2015.

Mauro Alves da Silva

Coordenador do http://www.MovimentoCOEP.org

Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública

Prêmio IgNóbil de Direitos Humanos na Educação 2014.

A Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) foi a grande vencedora do Prêmio IgNóbil de Direitos Humanos na Educação 2014.
Os estupros, as humilhações e as práticas racistas dentro desta unidade educacional somente foram possíveis pela cumpricidade de alunos, ex-alunos, professores e dirigentes, seja por ação seja por omissão. A cultura autoritária impera em quase todas as instituições educacionais do Estado de São Paulo.

A premiação é patrocinada pela Academia Real de Ciências Ocultas de Piratininga.
Os agraciados com o Prêmio IgNóbil de Direitos Humanos na Educação 2014 recebem cópias das seguintes publicações:
– Estatuto da Criança e do Adolescente;
– Declaração Universal dos Diretos Humanos;
– Lei Maria da Penha; e
– Declaração de Genebra:

DECLARAÇÃO DE GENEBRA

Aprovada pela 2ª Assembleia Geral da Associação Médica Mundial, Genebra, Suíça, setembro de 1948

e alterada pela 22ª Assembleia Médica Mundial, em Sydney, Austrália, agosto de 1968

e pela 35ª Assembleia Médica Mundial, Veneza, Itália, outubro de 1983

e pela 46ª Assembleia Geral da Associação Médica Mundial, Estocolmo, Suécia, setembro de 1994

e revisada na 170ª Sessão do Conselho, Divonne-les-Bains, França, Maio de 2005 e

na 173ª Sessão do Conselho, Divonne-les-Bains, França, Maio de 2006

“NO MOMENTO DE SER admitido como membro da profissão médica:

EU JURO SOLENEMENTE consagrar a minha vida a serviço da humanidade;

EU DAREI aos meus professores o respeito e a gratidão que lhes são devidos;

EU PRATICAREI a minha profissão com consciência e dignidade;

A SAÚDE DE MEU PACIENTE será minha primeira consideração;

EU RESPEITAREI os segredos confiados a mim, mesmo depois que o paciente tenha morrido;

EU MANTEREI por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica;

MEUS COLEGAS serão minhas irmãs e irmãos;

EU NÃO PERMITIREI que concepções de idade, doença ou deficiência, religião, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, condição social ou qualquer outro fator intervenham entre o meu dever e meus pacientes;

EU MANTEREI o máximo respeito pela vida humana;

EU NÃO USAREI meu conhecimento médico para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;

EU FAÇO ESTAS PROMESSAS solenemente, livremente e pela minha honra.”

Cremilda denuncia escola EE João Ramalho.


Cremilda Estella Teixeira denunciou abuso praticados pela escola estadual EE João Ramalho, São Bernardo do Campo/SP.
A direção escolar desrespeita os direitos dos pais e ainda faz denúncias por “desacato” na delegacia de polícia.

O programa Assembleia Popular é gravado todas as quartas-feiras na Assembleia Legislativa de SP e vai ao ar aos sábados, às 12h, pela TV Alesp.

Vídeo editado por Mauro Alves da Silva
http://movimentocoep.com
movimentocoep@yahoo.com

Quem educa nossos professores?

Sociedade

Crônica

‘O empregado tem carro e anda de avião. Estudei pra quê?’

Se você, a exemplo dos professores que debocharam de passageiro “mal-vestido” no aeroporto, já se fez esta pergunta, parabéns: você não aprendeu nada
por Matheus Pichonelli — publicado 07/02/2014 13:20, última modificação 10/02/2014 17:15
Reprodução
PreconceitoProfessora universitária faz galhofa diante do rapaz que foi ao aeroporto sem roupa de gala. É o símbolo do país que vê a educação como fator de distinção, e não de transformação

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O condômino é, antes de tudo, um especialista no tempo. Quando se encontra com seus pares, desanda a falar do calor, da seca, da chuva, do ano que passou voando e da semana que parece não ter fim. À primeira vista, é um sujeito civilizado e cordato em sua batalha contra os segundos insuportáveis de uma viagem sem assunto no elevador. Mas tente levantar qualquer questão que não seja a temperatura e você entende o que moveu todas as guerras de todas as sociedades em todos os períodos históricos. Experimente. Reúna dois ou mais condôminos diante de uma mesma questão e faça o teste. Pode ser sobre um vazamento. Uma goteira. Uma reforma inesperada. Uma festa. E sua reunião de condomínio será a prova de que a humanidade não deu certo.

Dia desses, um amigo voltou desolado de uma reunião do gênero e resolveu desabafar no Facebook: “Ontem, na assembleia de condomínio, tinha gente ‘revoltada’ porque a lavadeira comprou um carro. ‘Ganha muito’ e ‘pra quê eu fiz faculdade’ foram alguns dos comentários. Um dos condôminos queria proibir que ela estacionasse o carro dentro do prédio, mesmo informado que a funcionária paga aluguel da vaga a um dos proprietários”.

A cena parecia saída do filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, no qual a demissão de um veterano porteiro é discutido em uma espécie de “paredão” organizado por condôminos pouco afeitos à sensibilidade. No caso do prédio do meu amigo, a moça havia se transformado na peça central de um esforço fiscal. Seu carro-ostentação era a prova de que havia margem para cortar custos pela folha de pagamento, a começar por seu emprego. A ideia era baratear a taxa de condomínio em 20 reais por apartamento.

Sem que se perceba, reuniões como esta dizem mais sobre nossa tragédia humana do que se imagina. A do Brasil é enraizada, incolor e ofuscada por um senso comum segundo o qual tudo o que acontece de ruim no mundo está em Brasília, em seus políticos, em seus acordos e seus arranjos. Sentados neste discurso, de que a fonte do mal é sempre a figura distante, quase desmaterializada, reproduzimos uma indigência humana e moral da qual fazemos parte e nem nos damos conta.

Dias atrás, outro amigo, nascido na Colômbia, me contava um fato que lhe chamava a atenção ao chegar ao Brasil. Aqui, dizia ele, as pessoas fazem festa pelo fato de entrarem em uma faculdade. O que seria o começo da caminhada, em condições normais de pressão e temperatura, é tratado muitas vezes como fim da linha pela cultura local da distinção. O ritual de passagem, da festa dos bixos aos carros presenteados como prêmios aos filhos campeões, há uma mensagem quase cifrada: “você conseguiu: venceu a corrida principal, o funil social chamado vestibular, e não tem mais nada a provar para ninguém. Pode morrer em paz”.

Não importa se, muitas e tantas vezes, o curso é ruim. Se o professor é picareta. Se não há critério pedagógico. Se não é preciso ler duas linhas de texto para passar na prova. Ou se a prova é mera formalidade.

O sujeito tem motivos para comemorar quando entra em uma faculdade no Brasil porque, com um diploma debaixo do braço, passará automaticamente a pertencer a uma casta superior. Uma casta com privilégios inclusive se for preso. Por isso comemora, mesmo que saia do curso com a mesma bagagem que entrou e com a mesma condição que nasceu, a de indigente intelectual, insensível socialmente, sem uma visão minimamente crítica ou sofisticada sobre a sua realidade e seus conflitos. É por isso que existe tanto babeta com ensino superior e especialização. Tanto médico que não sabe operar. Tanto advogado que não sabe escrever. Tanto psicólogo que não conhece Freud. Tanto jornalista que não lê jornal.

Função social? Vocação? Autoconhecimento? Extensão? Responsabilidade sobre o meio? Conta outra. Com raras e honrosas exceções, o ensino superior no Brasil cumpre uma função social invisível: garantir um selo de distinção.

Por isso comemora-se também à saída da faculdade. Já vi, por exemplo, coordenador de curso gritar, em dia de formatura, como líder de torcida em dia de jogo: “vocês, formandos, são privilegiados. Venceram na vida. Fazem parte de uma parcela minoritária e privilegiada da população”; em tempo: a formatura de um curso de odontologia, e ninguém ali sequer levantou a possibilidade de que a batalha só seria vencida quando deixássemos de ser um país em que ter dente é, por si, um privilégio.

Por trás desse discurso está uma lógica perversa de dominação. Uma lógica que permite colocar os trabalhadores braçais em seu devido lugar. Por aqui, não nos satisfazemos em contratar serviços que não queremos fazer, como lavar, passar, enxugar o chão, lavar a privada, pintar as unhas ou trocar a fralda e dar banho em nossos filhos: aproveitamos até a última ponta o gosto de dizer “estou te pagando e enquanto estou pagando eu mando e você obedece”. Para que chamar a atenção do garçom com discrição se eu posso fazer um escarcéu se pedi batata-fria e ele me entregou mandioca? Ao lembrá-lo de que é ele quem serve, me lembro, e lembro a todos, que estudei e trabalhei para sentar em uma mesa de restaurante e, portanto, MEREÇO ser servido. Não é só uma prestação de serviço: é um teatro sobre posições de domínio. Pobre o país cujo diploma serve, na maioria dos casos, para corroborar estas posições.

Por isso o discurso ouvido por meu amigo em seu condomínio é ainda uma praga: a praga da ignorância instruída. Por isso as pessoas se incomodam quando a lavadeira, ou o porteiro, ou o garçom, “invade” espaços antes cativos. Como uma vaga na garagem de prédio. Ou a universidade. Ou os aeroportos.

Neste caldo cultural, nada pode ser mais sintomático da nossa falência do que o episódio da professora que postou fotos de um “popular” no saguão do aeroporto e lançou no Facebook: “Viramos uma rodoviária? Cadê o glamour?”. (Sim, porque voar, no Brasil, também é, ou era, mais do que se deslocar ao ar de um local a outro: é lembrar os que rastejam por rodovias quem pode e quem não pode pagar para andar de avião).

Esses exemplos mostram que, por aqui, pobre pode até ocupar espaços cativos da elite (não sem nossos protestos), mas nosso diploma e nosso senso de distinção nos autorizam a galhofa: “lembre-se, você não é um de nós”. Triste que este discurso tenha sido absorvido por quem deveria ter como missão a detonação, pela base e pela educação, dos resquícios de uma tragédia histórica construída com o caldo da ignorância, do privilégio e da exclusão.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-empregada-ja-tem-carro-e-eu-estudei-pra-que-5156.html